terça-feira, 16 de novembro de 2010

Haiti: Manifestações contra a MINUSTAH deixam saldo de duas mortes

A segunda-feira (15 nov) foi de intensas manifestações da população contra a presença da ONU no Haiti. Os confrontos mais violentos ocorreram em cidades do norte do país. Em Cap Haitien, uma das maiores cidades haitianas, manifestantes armados atiraram contra as tropas da MINUSTAH. Segundo o porta-voz da ONU, Vicenzo Pugliese, os Soldados agiram em legítima defesa e revidaram ao ataque sofrido resultando em um civil morto. Uma das mortes foi registrada em Quartier-Morin, quando homens armados tentaram entrar no heliporto da base militar da ONU. Manifestantes armados atiraram contra soldados do heliporto, que, por sua vez, revidaram e acertaram um dos agressores. As manifestações ocorreram em virtude da epidemia de cólera, a qual teve sua origem atribuída à Soldados nepaleses, e que em apenas um mês provocou a morte de quase mil haitianos em várias regiões do país.
No entanto, autoridades da ONU atribuem a onda de protestos à proximidade das eleições legislativas marcadas para o próximo dia 28 de novembro e a possível participação de partidos políticos com o intuito de provocar a desestabilização e desordem na população, com vista a obter vantagens nas eleições.
No período em que estive no Haiti (jun 2007 a jun 2008) acompanhei várias manifestações da população contra o governo e contra a MINUSTAH, principalmente na capital Porto Príncipe, e invariavelmente eram partidos políticos que manipulavam estas manifestações. Em um primeiro momento, um estrangeiro desavisado poderia pensar que aquelas eram manifestações legítimas do povo em um país de governo democrático, no entanto, com o passar do tempo, verificamos que as manifestações eram extremamente organizadas, com hora para iniciar e para terminar. Em uma dessas oportunidades, um amigo haitiano nos relatou que cada grupo de manifestantes tinha um líder e este recebia cerca de 10 dólares por dia para colocar o seu grupo na "rua". As manifestações de maio de 2008 culminaram com a queda do Primeiro-Ministro.
Embora a situação hoje seja outra, bem como a motivação para as manifestações, não pude deixar de lembrar de fatos práticos que vivenciei nos 12 meses de estada em Porto Príncipe.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Haiti: Epidemia de cólera ganha novo impulso

A epidemia de cólera iniciada no começo do mês de outubro na região do rio Artibonite se alastrou rapidamente pelo Haiti atingindo a capital Porto Príncipe e, nesta semana, a cidade costeira de Gonaives. Foram pelo menos 724 mortes nas últimas semanas, sendo que as autoridades sanitárias haitianas contabilizaram certa de 80 mortes em todo país somente na última terça-feira (09 nov 2010). As autoridades confirmaram, ainda, que já ultrapassa de 11 mil o número de pessoas infectadas e atendidas em hospitais. O principal vector da transmissão da doença é a água contaminada.
A confirmação de que o tipo de cólera que está atingindo a população não é originária do Caribe e sim da Ásia fez com que as suspeitas sobre a origem da epidemia recaíssem sobre os Boinas Azuis nepaleses, cuja base encontra-se em Mirebalais, foco principal de disseminação da doença. Embora o comando da MINUSTAH tenha sido enérgico ao afirmar que esta notícia não tinha fundamento, tendo em vista que o contingente Nepalês fora substituído entre 8 e 15 de outubro e que os novos militares foram submetidos a exames prévios que confirmaram seu bom estado de saúde, a imagem da MINUSTAH foi manchada perante a opinião pública haitiana, visto que ainda paira o sentimento de desconfiança para com as autoridades da ONU.
O furacão Tomas, o atingir o Haiti no início do mês, aumentou o flagelo da população, pois cerca de um milhão e trezentos mil pessoas continuam a viver em acampamentos constituídos por barracas de lona. As condições de salubridade são quase que inexistentes, o que torna o ambiente propenso ao surgimento e propagação de várias doenças. Na foto abaixo temos uma prova de que estes acampamentos estão literalmente distribuídos por toda a capital haitiana, pois podemos visualizar várias barracas montadas em uma praça em frente ao Palácio Nacional.


Nas fotos seguintes podemos ver vários desses acampamentos distribuidos em locais distintos da capital Porto Príncipe.

Uma das cidades que mais sofreu danos com a passagem do furacão Tomas foi Leogane, justamente a cidade onde se localizou o epicentro do terremoto do dia 12 de janeito de 2010. As imagens abaixo nos possibilitam ter uma idéia dos estragos. Na primeira vemos a população enfrentando a correnteza provocada pela inundação em uma das ruas centrais da cidade. Já na segunda podemos ver a ação de voluntários da organização "All Hands Volunteers" realizando a limpeza de uma das salas do hospital Saint Croix que teve que ser evacuado ao ter suas dendências invadidas pela água.


Fonte: Site do Terra, All Hands Volunteers, AFP e Euronews

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Capitão Frederes é condecorado pela Assembléia Legislativa - RS

No Estado do Rio Grande do Sul anualmente o mês de setembro é destinado às comemorações referentes à Revolução Farroupilha. Inserida neste contexto, a Assembléia Legislativa do Estado concede a Medalha da Legislatura a pessoas que se destacam por suas ações e empreendimentos.
Neste ano um dos agraciados com a Medalha da 52ª Legislatura foi o Capitão da Brigada Militar Moggar Frederes de Mattos (foto) em virtude de sua participação na Missão de Paz da ONU no Haiti - MINUSTAH. A distinção foi concedida no dia 14 de setembro de 2010 pelo presidente da Assembléia Legislativa, deputado Giovani Cherini (lenço vermelho), e pelo deputado Gilmar Sossella (direita), autor da proposição. O deputado Sossella prestou a homenagem como forma de reconhecimento aos atos de coragem e a defesa da paz, aliado ao fato de que "a nossa sociedade precisa de bons exemplos de vida", resumiu o parlamentar.

O capitão Frederes, durante o tempo em que esteve no Haiti, atuou na Academia da Polícia Nacional Haitiana e na Diretoria de Operações, onde fomos colegas de unidade. As fotos abaixo foram tiradas durante uma visita que nós fizemos à Base da FPU Chinesa em abril de 2008. Na primeira, o Capitão Frederes aparece em primeiro plano conversando com o Comandante Chinês e na segunda aparecemos no hall de entrada da base.
Após seu retorno do Haiti, no início de 2009, o capitão Frederes trabalhou na APM/RS e atualmente exerce a função de Chefe da Assessoria de Análise da Violência e da Criminalidade Ordinária da Agência Central de Inteligência do Estado Maior da Brigada Militar.

Parabéns a este Boina Azul que teve seu valor reconhecido pelo legislativo gaúcho!

Fonte: Site da Assembléia Legislativa do RS

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

MINUSTAH: Integrante da UNPOL é morto em Port de Paix

O site de notícias Diário Digital publicou em sua página oficial que um integrante da UNPOL da MINUSTAH foi morto na cidade de Port de Paix (foto), localizada no noroeste do país. A notícia não trás outras informações, apenas que a morte decorreu de um ferimento provocado por faca. O comando da missão ainda não divulgou a nacionalidade do UNPOL, no entanto informou que o corpo foi encontrado por outro integrante do staff da ONU e que as investigações já estão em andamento com a finalidade de apurar as causas da morte e a autoria.
Fonte: Site Diário Digital.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dia de Homenagear heróis brasileiros

Hoje no Brasil e em vários países latino-americanos é celebrado o dia dos finados, momento de reflexão e de homenagens destinadas à memória dos entes queridos que já nos deixaram. Este ano devemos também dedicar este dia à lembrança das vítimas do trágico terremoto que atingiu o Haiti em 12 de janeiro de 2010. Em especial, devemos enaltecer aos brasileiros boinas azuis que tombaram no cumprimento de sua nobre missão. Nas fotos abaixo podemos ver o monumento erguido no BRABATT (Brazilian Battalion), Porto Príncipe, em homenagem aos heróis brasileiros.

O local, como não poderia deixar de ser, virou ponto de visitação obrigatório para os UNPOLs brasileiros que estão trabalhando atualmente no Haiti, como no caso do Capitão PMAM Fábio Honda Nascimento e do Tenente PMPE Ricardo Phillipe Couto de Araújo. O Capitão Honda aparece na primeira foto abaixo juntamente como o Coronel EB Rêgo Barros e o Coronel EB Silva Filho, os quais, na época em que a foto foi tirada, eram respectivamente o Cmt e o Chefe da Comunicação Social do Brabatt. Na foto seguinte podemos ver o Tenente Couto no dia em que esteve prestando suas homenagens às vítimas, muitas das quais eram amigos próximos, quer seja pelo convívio no curso no CIOPPAZ, ou mesmo pelo trabalho diário no Prédio do QG da MINUSTAH.


Nas fotos seguintes podemos visualizar detalhes do monumento composto por pequenas caixas com fragmentos dos escombros dos locais onde militares estavam prestando serviço no momento do terremoto. Os três locais são o QG da MINUSTAH, o Forte Nacional (Base brasileira encravado na favela de Belair) e a Casa Azul (Ponto de controle existente na entrada da favela de Cité Soleil). Na parte superior de cada caixa encontramos o nome das vítimas.
Por fim, não podemos deixar de render nossas homenagens ao amigo Capitão PMDF Cleiton Neiva, o qual pereceu sob os escombros do QG da MINUSTAH, o Hotel Cristhoper, quando desempenhava a função de Chefe da Segurança das instalações da ONU e coordenador das equipes de segurança das autoridades que se entravam no local. Bem como, ao Deputy SRSG, o brasileiro Luiz Carlos da Costa, o qual era a mais alta autoridade brasileira em atuação em missões de paz em janeiro de 2010.

A todos esses heróis brasileiros as nossas sinceras homenagens!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Moçambique: Oficiais da Brigada Militar coordenam curso de capacitação para Bombeiros

Os Capitães João Batista (APM-RS 1995) e Cláudio Morais Soares Junior (APM-RS 1997) foram designados pelo Comando da Brigada Militar, através do Departamento de Ensino e em Cooperação com a JICA (Japan Internacional Cooperation Agency) e ABC (Agência Brasileira de Cooperação), para coordenar o curso de capacitação ao Serviço Nacional de Salvação Pública de Moçambique, os Bombeiros daquele país africano. A missão é auxiliar os moçambicanos na estruturação de seus próprios cursos de Salvamento e Primeiros Socorros, aos moldes dos que ocorreram no Brasil durante os últimos 05 anos em cooperação com a JICA. O convênio de cooperação prevê o repasse de conhecimentos e tecnologias, bem como o treinamento de futuros instrutores.
O Capitão Morais explica que “os Governos dos países que mandaram representantes para fazerem o curso conosco, o qual eu fiz em 2007 e coordenei em 2008 e 2009 na Escola de Bombeiros – EsBo – em Porto alegre, apresentam projetos de seus países a JICA para realizarem o treinamento em sistema de follow up, ou seja, os peritos brasileiros vão até o país interessado e auxiliam a montar o curso e desenvolvê-lo, bem como participam dos treinamentos e discussões técnicas, com o objetivo de aumentar a capacidade operativa dos funcionários locais. Neste caso, aqui em Maputo - Moçambique, está sendo realizado o Follow Up do Curso de Técnicas de Salvamento e Primeiros Socorros, onde estamos repassado aos profissionais moçambicanos os conhecimentos sobre salvamento em altura, desencarceramento, primeiros socorros, entre outros.”
O Capitão João Batista está representando a Escola de Bombeiros e tem a missão de repassar as informações sobre a estrutura da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros no Rio Grande do Sul, auxiliando na estruturação jurídica do serviço de bombeiros, especialmente na parte de recursos humanos.
Os Oficiais permanecerão em Maputo pelo período de dois meses, de 06 de outubro a 09 de dezembro de 2010.
Abaixo podemos visualizar outras fotos das atividades desenvolvidas pelos dois Oficiais brasileiros. Na primeira vemos o Capitão João Batista (esq.) e Capitão Morais (dir.) juntamente com o senhor Shukunobe Masami, chefe da JICA em Moçambique.

Na foto seguinte vemos os dois Oficiais em seu primeiro contato com o comando dos Bombeiros em Maputo na sede do Serviço Nacional de Salvação Pública.

Nas duas fotos seguintes aparecem os Oficiais brasileiros com os Bombeiros moçambicanos. A primeira foto foi feita durante uma reunião preparatória com os futuros instrutores locais. Já na segunda podemos visualizar o Capitão Morais durante a primeira instrução de primeiros socorros.

A última foto mostra o Capitão Morais se adaptando a uma das peculiaridades do trânsito em Moçambique: a mão inglesa.
Desejamos sucesso na missão para estes policiais brasileiros que como os UNPOLs estão representando nosso país em terras além-mar.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Haiti: UNPOLs são feitos reféns em rebelião na Prisão Nacional

A Prisão Nacional haitiana situada na capital Porto Príncipe foi palco de uma rebelião na tarde de ontem, dia 17 de outubro. O fato teve ampla divulgação na imprensa internacional como a agência Atlas, através do site la informacion, que estampou a manchete:

"La policía evita la fuga de 20 presos en una carcel de Haití
AGENCIA ATLAS
Una veintena de presos han intentado escapar de una cárcel de Haití. La policía y los soldados de la ONU lograron impedirlo con una operación que ha dejado 3 víctimas mortales. Los internos secuestraron a cinco agentes y prendieron fuego a la enfermería. El incidente empezó cuando tres prisioneros se apoderaron del arma de un agente cuando éste abría una de las celdas.La inmediata intervención policial evitó la fuga. Los presos volvieron a sus celdas, los secuestrados fueron liberados, y los amotinados, abatidos
."

A agência de notícias Al Jazeera também destacou o fato:

"A riot at Haiti's largest prison has left three inmates dead.
Two were shot as they were trying to escape from the roof of the national penitentiary in Port-au-Prince, the capital, while a third was trampled to death inside the facility, authorities said.
Inmates also briefly held seven foreigners hostage, including three UN police officers, two UN corrections officials and two visitors to the prison, Jean-Francois Vezina, a UN police spokesman, said.
The hostages were later freed with minor injuries.
At least 100 UN police officers were inside the jail on Sunday when the riot occurred, with seven officers being injured, Joseph Felix Badio, the justice minister, told the Associated Press news agency
."

O Capitão PMPA Bassalo, veterano da MINUSTAH, conseguiu contato hoje à tarde com UNPOLs em Porto Príncipe e obteve a confirmação da rebelião, bem como que os reféns eram na verdade 07 UNPOLs. Segundo o Capitão Bassalo, um time de intervenção tática da UNPOL/MINUSTAH foi enviado para liberar os reféns enquanto o Exercito Brasileiro fazia o cerco no entorno do complexo prisional. Os reféns foram libertados com ferimentos leves. A ação resultou em 03 detentos mortos.
abaixo um vídeo sobre o fato, divulgado no site La Informacion, onde podemos ver UNPOLs da FPU da Nigéria e da Jordânia, bem como integrante da SWAT da Polícia Nacional Haitiana e militares brasileiros.

Fonte: Site La Informacion

sábado, 16 de outubro de 2010

Capitão Carrera ministra instrução no CCOPAB

Iniciou no último dia 04 de outubro no Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil – CCOPAB – Centro "Sérgio Vieira de Mello", o Estágio de Preparação para Missões de Paz 2010-2. Esta edição do estágio conta com a participação 12 policiais, sendo 08 Oficiais de policiamento e 04 Oficiais Bombeiros, além de Oficiais das forças armadas.
Todas as instruções são ministradas no idioma inglês e ocorrem das 08:00 hs às 17:00 hs, incluindo treinamento físico militar. A previsão de término do curso é o dia 29 de outubro.
Na primeira semana de aulas os alunos tiveram contato com os seguintes assuntos: Introduction to UN Peacekeeping, Fundamental Principles of UN Peacekeeping, Rules of Engangement, Code of Conduct, Media Relation, Humanitarian Assistance, CIMIC, UN Communication, Stress Management, Negotiation and Mediation, Hygienic/Basic Life Support.
O corpo de Instrutores é formado por Militares brasileiros e estrangeiros, contanto com a participação importante de Oficiais de Polícia Militar veteranos de missão.
Foi com as credenciais de ser veterano da Missão de Paz no Haiti, bem como o organizador e coordenador de 02 Cursos UNPOLs na PMDF que o Capitão Sérgio Carrera, a convite do comando do CCOPAB, ministrou duas instruções nesta primeira semana. A primeira foi uma instrução conjunta entre militares e policiais e teve como tema central: “ United Police – UNPOL (1h15min). Já a segunda foi ministrada apenas para os policiais e bombeiros, tendo como tema: “ UNPOL in Haiti overview” (2h25min).
Na foto abaixo podemos ver o momento em que o Oficial mais antigo da turma dos policiais, T Cel Braga da PMPA, entrega um certificado ao instrutor Capitão Carrera. Cabe destacar que estes dois Oficiais se conhecem de longa data, visto que o T Cel Braga era nosso Contingent Commander no período em que eu, o Carrera e o Capitão Freitas (Brigada Militar) integrávamos a UNPOL-MINUSTAH. Nas fotos a seguir podemos visualizar outras instruções que ocorreram durante a semana inicial do estágio. Na primeira foto vemos o grupo de policiais e militares durante instrução sobre UN Communication com o Capitão Andy Smith do Reino Unido. Na segunda foto podemos ver a instrução ministrada apenas aos policiais pelo T Cel Gonzalo Villagran, da Argentina, sobre negociação e mediação.


Fonte: informações e as 02 últimas fotos do site do CCOPAB, 02 primeiras fotos do acervo pessoal do Cap Carrera.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Guiné Bissau: Nomeações de Chefes Militares causam reações diferentes na Europa e na África


Na semana que passou o Presidente da Guiné Bissau, Malam Bacai Sanhá (foto de Sanhá ao lado do Presidente Lula durante visita oficial ao Brasil no dia 25 de agosto deste ano), realizou nomeações de Militares para altos postos de comando. Os Nomeados foram o contra-almirante José Américo Bubo Na Tchuto para a função de chefe do Estado-Maior da Armada da Guiné-Bissau e do major-general Mamadú Turé para vice-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas. A nomeação de Bubo Na Tchuto provocou reações diferentes em países da União Africana e na Europa. Podemos verificar isso nas publicações constantes no site do Jornal Angola Press e no site do Jornal Público de Portugal.
Site Angola Press (Texto original)
Luanda – Na semana que finda mereceram destaques no noticiário africano as nomeações pelo Presidente da Guiné-Bissau do contra almirante Bubo Na Tchuto para chefe do Estado Maior da Armada e do major- general Mamadú Turé para vice-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, bem como a marcação da data da segunda volta das eleições na Guiné-Conakry.Com efeito, essas nomeações mereceram uma justificação por parte do Presidente da República explicando que a nomeação do contra-almirante Bubo Na Tchuto para a chefia do Estado-Maior da Armada teve como objectivo criar um clima de paz e estabilidade interna. Ainda sobre a Guiné-Bissau, o representante especial da União Africana (UA), o angolano Sebastião Isata, declarou-se "confiante e optimista" quanto aos esforços em curso, interna e externamente, para a estabilização política deste país da África Ocidental."Estamos a encarar com optimismo e confiança o evoluir da situação para uma verdadeira reconciliação de todos os filhos da Guiné", disse.

Site do jornal Público (texto original do jornalista Jorge Heitor)
UE apresenta-o como um "desestabilizador"
Almirante que Washington considera narcotraficante foi colocado à frente da Armada da Guiné-Bissau - 11.10.2010 - 12:50 Por Jorge Heitor
O Presidente Malam Bacai Sanhá nomeou o contra-almirante José Américo Bubo Na Tchuto chefe do Estado-Maior da Armada da Guiné-Bissau, mas a representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Catherine Ashton, lamentou-o profundamente.
Bacai Sanhá explicou ter recolocado Bubo Na Tchuto no lugar que já em tempos desempenhara por entender que isso poderá contribuir para a estabilidade de um país muito agitado. Mas a UE, por seu turno, destacou o “papel desestabilizador” de Bubo nos acontecimentos de 1 de Abril último, quando o general António Indjai o foi buscar às instalações das Nações Unidas onde se encontrava refugiado e juntos prenderam o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Zamora Induta.
“É uma tentativa do poder legítimo da Guiné-Bissau, do Governo e da Presidência da República, de criar um clima propício para a implementação da reforma do sector de defesa e segurança”, afirmou Malam Bacai Sanhá aos jornalistas, enquanto Catherine Ashton recordava que o oficial em causa se encontra sujeito a sanções por parte de entidades internacionais, designadamente norte-americanas, por se ter considerado que estava envolvido no narcotráfico que dilacera a vida da África Ocidental.
“A comunidade internacional vai compreender a nossa posição, como compreenderam sempre. Vai compreender a necessidade que nós temos de estabilizar este país e nós estaremos à altura de dar essas explicações”, disse o Presidente guineense, depois de haver recolocado Bubo no lugar que tivera até Agosto de 2008, quando foi acusado de actividades golpistas pelo então chefe do Estado-Maior General, general Tagme Na Waie, que viria a ser assassinado em 1 de Março do ano passado.
Na sequência das acusações de que tentaria procurar destituir o então Presidente João Bernardo “Nino” Vieira, Bubo Na Tchuto foi suspenso e fugiu para a Gâmbia, de onde depois saiu para se refugiar na representação da ONU em Bissau.
Durante o período em que ele se encontrou fugido, foram assassinados tanto Tagme Na Waie como o próprio “Nino” Vieira, numa série de crimes políticos a que a Guiné-Bissau tem vindo a assistir.
No dia 1 de Abril deste ano, Bubo Na Tchuto e o general António Indjai não só destituíram o almirante Zamora Induta da chefia do Estado-Maior General, como chegaram a prender, durante algumas horas, o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, líder do partido maioritário, o PAIGC.
País de arbitrariedades
Zamora Induta tem continuado detido, sem julgamento, se bem que nos últimos dias tenha sido anunciada a iminência da sua libertação, constantemente exigida pela UE, que não se conforma com uma série de arbitrariedades que se têm verificado na Guiné-Bissau e ficado impunes.
De acordo com as palavras da britânica Catherine Ashton, a recolocação de Bubo Na Tchuto à frente da Armada confirma, se necessário fosse, a militarização da política naquela antiga colónia portuguesa, onde nos últimos sete meses Presidente e Governo têm feito quase tudo o que é desejado por alguns oficiais generais.
Em Junho, o Tribunal Militar guineense arquivou as acusações de alegada tentativa de golpe de Estado que haviam sido formuladas contra Bubo Na Tchuto; e, a partir daí, ele começou a exigir que o colocassem de novo no Estado-Maior da Armada. Isto apesar de o departamento norte-americano do Tesouro o ter colocado na lista internacional de narcotraficantes.
O mesmo tribunal determinou na semana passada não haver razões para se manter por mais tempo a prisão preventiva do Almirante Zamora Induta, que, no entanto, deveria, segundo os juízes, ser obrigado a permanecer no país, de modo a esclarecer algumas das acusações que contra ele também têm vindo a ser feitas.
De acordo com uma carta atribuída ao Procurador-Geral da República, Amine Michel Saad, e divulgada pelo site Ditadura do Consenso, Induta teria dito o ano passado a um grupo de militares que o primeiro-ministro lhe dera ordens para mandar executar o Presidente Vieira.
No entanto, acusações tão graves como estas não são inéditas na Guiné-Bissau, sem que ninguém as desminta cabalmente ou consiga confirmar a sua veracidade, pois que o clima geral é desde há muito o de uma total impunidade.
Fonte: Sites AngolaPress e Público

sábado, 9 de outubro de 2010

MINUSTAH - UNPOLs brasileiros coordenam operação em Les Cayes

A Diretoria de Operações – DIROPS – virou reduto dos UNPOLs brasileiros na MINUSTAH, pois todos os contingentes policiais que estiveram em solo haitiano a partir de 2004 contaram no mínimo com um representante no setor de operações. Atualmente todo o contingente faz parte de unidades desta importante diretoria. Para quem tem em mente um dia integrar a MINUSTAH, com certeza este é um lugar excelente para se trabalhar. As atividades são essencialmente policiais e você tem a oportunidade de conhecer todo o país e interagir com as diversas unidades UNPOLs e da Polícia haitiana. Um exemplo disso foi a Operação “Rebourne” realizada no mês de setembro na cidade de Les Cayes, situada a sudoeste da capital Porto Príncipe. A operação mobilizou um expressivo contingente, entre FPUs, UNPOLs de várias unidades, militares uruguaios e policiais haitianos. Participaram no Comando da Operação o Capitão PMAM Algenor, o Capitão PMAM Honda e o Capitão PMERJ Tadeu.
O objetivo da operação era a localização do cativeiro de algumas crianças que haviam sido seqüestradas e estariam sendo mantidas em um vilarejo da localidade de Tiburon. Seqüestro é um dos crimes mais praticados no Haiti, desde o tempo em que eu estava em Porto Príncipe.
Após chegar a Tiburon, aproximadamente 12 horas de carro desde Porto Príncipe, começou o trecho a pé da operação, segundo nos relatou o Capitão PMAM Fábio Honda foram “umas sete horas e meia para subir e 4 horas para descer a montanha”. Ao Final, as crianças não foram encontradas, no entanto duas pessoas foram presas, um homem que estava tentando extorquir dinheiro do pai de uma daquelas crianças, e um dos informantes, que foi preso por determinação do juiz que estava acompanhando a operação, pois se descobriu que na verdade o próprio informante também estava participando da extorsão.
Operações como esta são realizadas rotineiramente pelos integrantes da Diretoria de Operações e tem obtido resultados excelentes na recaptura de delinqüentes foragidos da Prisão Nacional e que retornaram as suas comunidades de origem levando medo à população, bem com na repressão ao tráfico de drogas. Basta lembrar que não ano passado, operação semelhante comandada pelo Capitão Algenor na região de Saint Marc, noroeste de Porto Príncipe, resultou na descoberta e destruição de 12 mil pés de maconha (cannabis sativa) e de 150 kg da droga já prontos para comercialização.
A Operação Rebourne contabilizou como aspectos positivos, além das prisões, a integração de esforços no planejamento entre a UNPOL e a Polícia Nacional do Haiti - PNH; a integração do setor policial da missão com o Poder Judiciário local, pois um Juiz acompanhou todo o desenrolar da operação; a percepção por parte da população haitiana de que a PNH estará presente também nas comunidades mais distantes sempre que for necessário; a familiarização com o terreno para policiais de diversas nacionalidades, visto que apenas os UNPOLs sediados em Les Cayes tinham noção da localização dos cativeiros, a experiência em operações de campanha para UNPOLs e PHNs os quais foram testados em seus limites extremos de fadiga; por fim o teste para a própria logística que envolve operações desta natureza, erros e acertos serão internamente avaliados para o aprimoramento das próximas operações naquela região do Haiti.
Abaixo teremos várias fotos que nos possibilitam ter uma idéia da Operação Rebourne. Na primeira vemos o Capitão PMAM Honda (abaixo 1º esquerda) junto com outros UNPOLs e o efetivo da SWAT haitiana na base SWAT se preparando para se reunir com o restante do efetivo.
Na próxima foto podemos ver a preparação do efetivo UNPOL no Campo Delta em Porto Príncipe. Podemos visualizar o Cap PMAM Algenor (de costas em primeiro plano à esquerda) e o Capitão PMERJ Tadeu conversando com outros policiais (no centro em frente à viatura).
A foto seguinte mostra o deslocamento de Porto Príncipe até Les Cayes em trecho sem asfalto.
O deslocamento pelo interior do Haiti propicia nos depararmos com paisagens como esta. Não podemos esquecer que o Haiti é um país com alto potencial turístico, assim como a vizinha República Dominicana. São as famosas praias do caribe. Falta ainda o devido investimento em infraestrutura para receber turístas. O norte do País já é ponto de parada obrigatório para os Navios de Cruzeiro que viajam pelas ilhas caribenhas partindo de Miami.
Chegada à base da ONU em Les Cayes após seis horas de viagem desde Porto Príncipe. Les Cayes foi a cidade onde começaram as manifestações contra o governo e a MINUSTAH em maio de 2008, época em trabalhei na DIROPS e participei das operações em Porto Príncipe.
Segundo o Capitão Honda (à direita), já passavam das quatro horas da tarde quando ele e o Capitão Tadeu (centro), juntamente com os demais, conseguiram almoçar na base uruguaia em Les Cayes.
As acomodações improvisadas não tiraram o ânimo do Pessoal, pois o efetivo da SWAT e os UNPOLs que trabalham com eles já estão acostumados com situações adversas. O descanso foi merecido, pois o dia seguinte seria duro.
Na manhã seguinte, antes de iniciarem o deslocamento, o efetivo acompanhou o ritual de orações dos UNPOLs da FPU (Formed Police Unit) da Jordânia. Os mulçulmanos oram voltados para a cidade sagrada de Meca no mínimo três vezes ao dia.
As próximas fotos mostram a formação do comboio e o deslocamento até a região de montanha. Podemos ver o Capitão Honda e o Capitão Algenor (à direita).
Deslocamento do efetivo na subida do morro em meio à mata.
Capitão Honda e efetivo da Swat Unit fazem parada para descanso. Logo após encontraram um dos possíveis locais de cativeiro.

Por fim, o retorno para casa após as prisões e o cumprimento da missão.



Fonte: Arquivo pessoal Capitão PMAM Honda