quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A UNPOL trabalha em apoio ao Exército?


Sempre que tenho a oportunidade de falar ou palestrar sobre o trabalho policial nas Missões de Paz das Nações Unidas, surgem questionamentos a respeito das atividades específicas dos integrantes da United Nations Police – UNPOL. Não raras vezes me perguntam se a UNPOL trabalha “apoiando” o Exército. Compreendo que colegas policiais tenham essas dúvidas, pois eu mesmo as tinha quando embarquei para a missão no Haiti em junho de 2007. Não só os policiais, mas a sociedade em geral é induzida ao erro pela intensa exposição na mídia nacional das atividades do Exército brasileiro no Haiti, sempre destacando o fato de que o Brasil comanda a MINUSTAH. Isto não é verdade, o Brasil ocupa uma função de destaque e importantíssima do ponto de vista estratégico: o comando do braço militar da Missão. Assim como um Oficial da Gendarmeria Argentina comanda o braço policial da MINUSTAH. A estes dois segmentos junta-se o segmento civil, composto, no caso do Haiti, por centenas de pessoas (estrangeiros e haitianos). Na soma de esforços destes três segmentos distintos reside a alma das atuais missões de paz, denominadas de multidimensionais. Cada segmento desempenhando sua função de forma independente, mas buscando alcançar objetivos conjuntos. Cada segmento com missões específicas e sem hierarquia entre si. Concluída esta parte da explicação, alguém poderia perguntar. Bom, mas se todos trabalham de forma independente, então uma Missão de Paz não tem comandante? A resposta é simples. É lógico que as Missões de Paz tem um comando. Normalmente exercido por um civil. No caso da MINUSTAH este comando é desempenhado atualmente pelo diplomata Edmond Mulet, da Guatemala.
Estas dúvidas eram correntes na época em que embarquei para a missão no Haiti. No entanto, passaram-se quase 4 anos e muita coisa mudou. Em 2007 ainda não havia o curso preparatório para policiais no CCOPAB – Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil – no Rio de Janeiro. Na verdade o curso já existia, mas preparava apenas os militares das forças armadas. Não havia o fórum de debates estabelecido com a criação grupo UNPOL em maio de 2009 (http://br.groups.yahoo.com/group/unpolbrasil/) no qual veteranos e novatos estão em contato diariamente e compartilham informações sobre as missões em andamento. Não havia o facebook e nem os blogs Missão de Paz e UNPOLICE que procuram trazer informações e fotos atualizadas sobre o dia-a-dia dos policiais brasileiros nas missões em andamento (Haiti, Sudão, Timor Leste e Guiné Bissau).
Com certeza os nossos policiais estão chegando nas diversas Missões de Paz cada vez mais informados e cientes do ambiente que vão encontrar, da rotina policial da UNPOL, da estrutura de uma Missão multidimensional e, principalmente, do papel da polícia em uma Missão de Paz das Nações Unidas. O conhecimento trás consigo a tranqüilidade e a confiança, requisitos fundamentais para uma rápida adaptação ao ambiente de trabalho para o novo Boina Azul.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Haiti: End Of Mission do Capitão Algenor

O Capitão Algenor Teixeira Filho (foto acima), da Polícia Militar do Estado do Amazonas, chegou ao Brasil no último dia 17 de janeiro após concluir o seu tempo de serviço na Missão da Paz da ONU no Haiti - MINUSTAH. Foram 24 meses In The Service of Peace em solo haitiano, sendo 12 meses de serviço normal e mais duas extensões de seis meses.
O Capitão Algenor recebeu a primeira extensão em janeiro de 2010, em meio à tragédia provocada pelo terremoto que assolou o Haiti. A permanência de UNPOLs experientes e adaptados à missão naquele momento foi fundamental para que a MINUSTAH pudesse se reerguer rapidamente e oferecer o suporte necessário na área de segurança pública à população haitiana nos primeiros meses que se sucederam ao desastre.
Durante todo o período em que esteve no Haiti o Capitão Algenor desempenhou com destaque a função de Comandante do Contingente Policial Brasileiro - Contingent Commander. Sempre preocupado em assegurar que nossos policiais, ao chegar na missão, fossem designados para funções-chave dentro da estrutura organizacional da MINUSTAH, o Capitão Algenor, usando da diplomacia e da boa reputação que angariou no transcorrer de seu tour of duty, conseguiu romper barreiras internas e colocar todos os brasileiros em funções importantes nas unidades pertencentes à Diretoria de Operações da Missão - DIROPS. Foi por este motivo que no primeiro contingente policial brasileiro comandado pelo Capitão Algenor (2009), o Capitão Bassalo, da Polícia Militar do Estado do Pará - PMPA, assumiu a Unidade de Crowd Control (foto abaixo) e o Tenente Heberton, da Polícia Militar do Distrito Federal - PMDF - assumiu coordenação da UNPOL/HNP SWAT Unit.Já no segundo contingente (2010), o Capitão Algenor gestionou junto ao comando da Missão e conseguiu com que o Tenente Couto, da Polícia Militar do Estado de Pernambuco - PMPE - fosse designado como o primeiro comandante da K9 Unit, primeira unidade policial haitiana especializada em emprego de cães. Bem como, o Capitão Honda - PMAM - e o Capitão Tadeu, da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro - PMERJ - fossem designados para a Unidade de Coordenação de Operações policiais, ficando todos os brasileiros na DIROPS. Abaixo o Capitão Honda (em pé à esquerda) e o Capitão Tadeu (em pé ao centro) aparecem durante reunião preparatória para uma operação policial.

Durante seu comando, o Capitão Algenor manteve contato com inúmeras autoridades brasileiras e estrangeiras, oportunidades em que sempre argumentou e defendeu o aumento do efetivo policial brasileiro na MINUSTAH, como no caso da foto abaixo onde ele aparece ao lado do Ministro da Defesa, Nelson Jobim, durante visita do Ministro às tropas brasileiras em Porto Príncipe.
Em algumas ocasiões este anseio de aumento do efetivo e, por consequência, da importância do Brasil dentro do braço policial da MINUSTAH também foi relatado ao Embaixador brasileiro no Haiti, Igor Kipmann, o qual aparece na foto abaixo junto ao contingente UNPOL brasileiro de 2010.
Foram dois anos de intenso trabalho nos quais o Capitão Algenor comandou várias operações policiais, como nos mostram as fotos abaixo. Em especial a "Operação Anaconda" (foto abaixo) realizada no final de agosto de 2009, oportunidade em que o Capitão Algenor comandou um efetivo de 130 homens composto por UNPOLs e policiais haitianos e que resultou na destruição de mais de 12 mil pés de maconha prontos para a colheita e 150 kg da droga pronta para a comercialização, tornando-se a maior apreensão de drogas feita pela MINUSTAH desde o início da missão em 2004. Esta operação ganhou destaque na impresa internacional, conforme o texto publicado em 1º de setembro de 2009. (clic sobre a data anterior para acessar o texto na íntegra). Ou ainda, as operações policiais na famosa favela de Cité Soleil, como no caso da operação realizada em maio de 2010 com objetivo de prender fugitivos da Penitenciária Nacional, na qual o Capitão Algenor concedeu entrevista à imprensa dando os detalhes do trabalho da UNPOL no local. Este vídeo foi postado aqui no blog em 27 de maio de 2010.(clic na data anterior para acessar o vídeo).

O excelente serviço prestado, a capacidade de comando nas operações policiais e de articulação com os demais setores da missão (civis e militares), bem como o bom relacionamento com o comando da MINUSTAH renderam ao Capitão Algenor a segunda extensão de seis meses, no segundo semestre de 2010.

Por fim, a dedicação do Capitão Algenor ao serviço policial das Nações Unidas teve o reconhecimento formalizado em Dezembro do ano passado quando este valoroso policial brasileiro perfilou-se em local de destaque junto a Oficiais do Estado-Maior do BRABATT durante a cerimônia de Medal Parade brasileira e recebeu das mãos do Representante Especial do Secretário Geral da ONU no Haiti - SRSG - Edmond Mulet a Medalha "In Service Of Peace".

Parabéns ao Algenor pela dedicação e entusiasmo com que representou e enalteceu o nome do Brasil e de sua Corporação, a Polícia Militar do Estado do Amazonas, na comunidade de nações que integram a Missão de Paz da ONU no Haiti!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Capitão Osório é condecorado pela ONU na Guiné Bissau

Os Policias brasileiros integrantes da Missão das Nações Unidas na Guiné Bissau – UNIOGBIS – foram condecorados no último dia 14 de janeiro de 2011 com a Medalha de Serviço Especial das Nações Unidas. A cerimônia aconteceu na sede do Gabinete Integrado das Nações Unidas localizado na capital Bissau.
Os 12 UNPOLs homenageados (foto acima) são oriundos de 7 países (Angola, Brasil, Moçambique, Paraguai, Portugal, Suiça e Zimbabue ) e fazem parte da Unidade de Reforma Policial a qual integra o setor de Reforma da Segurança daquele país africano.
O contingente policial brasileiro na UNIOGBIS é composto por 5 Oficiais, dos quais 4 são integrantes da Polícia Militar do Distrito Federal – PMDF - e 1 é integrante da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul - BMRS. Os UNPOLs brasileiros são os seguintes: Coronel Nelson Werlang Garcia, o qual é o Senior Police Adviser; Tenente Coronel Marcos Aurélio Vitoriano Matias, Tenente Coronel Florisvaldo Ferreira Cesar , Tenente Coronel Denise Dantas de Aquino, todos da PMDF, e o Capitão Tales Américo Osório.
A experiência em Operações de Paz foi critério determinante para a designação destes policiais brasileiros para integrarem a missão na Guiné Bissau, visto que todos estão, no mínimo, em sua segunda Missão de Paz.
O Capitão Osório, meu contemporâneo de APM/RS, é veterano da Missão de Paz da ONU no Haiti – MINUSTAH - onde esteve em 2006 (foto abaixo com crianças haitianas no bairro de Martissant).
Atualmente o Capitão Osório desempenha a função de Assistente Especial do Senior Police Adviser e já havia nos enviado um relato sobre suas atividades na UNIOGBIS, o qual reproduzo abaixo:

Um dos objetivos da ONU é organizar, em conjunto com a comunidade internacional, a Reforma do Setor de Segurança da Guiné-Bissau. Isto passa pela reformulação do número de forças policiais (hoje são 09 polícias) bem como a criação de uma Guarda Nacional. Eu trabalho no Setor de Reforma da Segurança, mais especificamente na Unidade de Reforma Policial. O Chefe deste Setor é o Coronel Nelson Garcia da PMDF e eu sou o seu Assistente Especial (Special Assistant to the Senior Police Adviser). Também sou responsável pelo controle de pessoal e logística de nossa equipe (A Seção é formada por 05 brasileiros, 01 português, 01 suíço, 01 ghanês, 01 paquistanês, 01 moçambicano, 01 paraguaio, 01 zimbabwense, 01 alemão, 01 nigeriana, 01 espanhol e 01 americano). A seção é dividida em 05 pilares que são a Reforma Administrativa; de Ensino e Recursos Humanos; Boa Governança; Gênero e grupos vulneráveis e Operações. Dentre os primeiros projetos já implementados por nossa seção constam um laboratório computadorizado de treinamento policial e a construção de uma Esquadra (Companhia) Policial Modelo que está localizada no Bairro Militar (uma zona carente da capital Bissau)"

Parabéns a todos os UNPOLs agraciados com a Medalha da UNIOGBIS!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Haiti: Texto do Capitão Carrera expressa o sentimento de quem perdeu amigos na tragédia haitiana

Hoje completam-se exatos 12 meses do terremoto que praticamente deixou a capital haitiana, Porto Príncipe, e cidade vizinhas em escombros. Muitas vidas se perderam, população local, missionários religiosos, integrantes de ONGs e quase uma centena de integrantes da Missão de Paz da ONU - MINUSTAH, como o Capitão Cleiton (Foto acima o 2° a partir da esq.), da Polícia Militar do Distrito Federal - PMDF. A homenagem aos brasileiros que tombaram no cumprimento do dever eu já prestei no texto publicado aqui blog há dois meses, no dia 02 de novembro, sob o título "Dia de Homenagear Heróis Brasileiros". Por isso reproduzo aqui o texto escrito pelo Capitão Carrera, da PMDF, publicado no seu Blog Missão de Paz.

"1 ano para refletir
1 ano. 12 de janeiro de 2010. Tarde brasileira. Trevas haitiana. Quando meus olhos se voltaram para o plantão de notícias da televisão pensei que se tratava de uma ilusão. Um pesadelo. Minha testa franzida, juntamente com a de mais outros tantos que se encontravam diante do aparelho, parecia não acreditar nas primeiras imagens e informações desencontradas que eram transmitidas. Demoraram alguns minutos até eu me dar conta dos fatos. Fiquei atordoado. Perdido. Sem saber bem o que fazer, busquei o meu laptop e a conexão via internet para contactar os amigos que estavam no Haiti. Um grande amigo de mais de uma década. Um amigo fiel e cumpadre. Policiais militares. Militares. Civis. Brasileiros. Estrangeiros. Amigos. Conhecidos. Nações Unidas. MINUSTAH. Porto Príncipe. Haiti. Rapidamente me conectei com alguns. Via email. Telefone. Passei a transmitir aos familiares e amigos as poucas mas aliviantes notícias. De vida. De sobrevivência. Um a um, sem considerar grau de importância, os nomes foram sendo confirmados. Sentimentos de conforto e apreensão se confundiam. Antagônicos. Complexos. Confusos. Apreensivos. Em algumas horas praticamente fui postando tudo que tomava conhecimento no blog. Viva a internet! Esperança. Os meus exatos 365 dias no Haiti me transportavam diretamente as imagens distorcidas da tragédia que eu via na mídia, recebia por email. Seria possível ter aquilo mesmo acontecido? – me questionava. O Hotel Christopher, Sede da Missão, estava em ruínas. Eu trabalhei por um ano ali. Naqueles destroços que infelizmente eu me recusava a acreditar. No transcurso da história da humanidade, 3 anos nada significam. Eu poderia estar lá. Eu queria estar lá. Não para ser herói. Não para dizer que estava. Eu queria estar lá para ajudar. Para ser útil. Para encontrar. Para fazer alguma coisa. Outros tantos também queriam. Amigos. Conhecidos. Sobreviventes. Impotência. Sentimento difícil de descrever. Dezenas de policiais militares prontamente se voluntariaram para embarcar imediatamente para o Haiti. A indiferença foi plena das “autoridades”. A mídia repercutiu a vontade. Das autoridades, o silêncio. Sequer cogitaram. Frustrante. Veteranos que atuaram na MINUSTAH. Que conheciam as ruas, vielas, o idioma, a cultura, a violência…seres humanos dispostos. Angustia pela procura por um amigo. Um amigo fiel. Um filho presente, amado. Um marido amável. Um pai impecável. Um profissional inquestionável. Um policial militar. Um diplomata por natureza. Um brasileiro. Revolta. Esperança. Deus. Ligações. Emails. Os sobreviventes passaram a ser heróis. Não por que quiseram ser. Mas porque assim foram ‘chamados’ para serem. Equipes brasileiras seguiam para o Haiti. Bombeiros Militares. Militares. Mas não policiais militares. Nem mesmo os veteranos. (Hoje não mais importa). E um policial militar brasileiro estava dentre os desaparecidos. A mídia não registrava. As autoridades não registravam. Não contabilizavam. Os dias passavam. Mas os amigos perpetuavam na divulgação de seu nome no Brasil e no mundo. Em português. Em inglês. Em francês. Em espanhol. Em alemão. No Haiti, outros tantos, inclusive policiais militares, não paravam de procurá-lo. Os dias se passavam. A dor amanhecia com o raiar do sol. Nem mesmo o anoitecer e as longas madrugadas eram capazes de acalmar os corações de quem o amava. A certeza e fé em Deus não permitiam desistências ou dúvidas. Força! Fé! Sua família no Brasil. Sua família no Haiti. Sobreviventes. Ascendentes. Descendente. Cônjuge. Amados. Eternos. 7 dias se passaram. As buscam continuavam. Implacáveis. Incessantes. Desgastantes. Mas ininterruptas. 8 dias de sofrimento. Uma ligação no meio da noite. Do Haiti. A confirmação da ruptura de uma linda história de vida, de amor, de respeito, de amizade, de persistência. Encontrado por um brasileiro. Um policial militar. Dor. Amargura. Sonho ou pesadelo? Desespero. Amigos. Família. A incumbência de informar. De confirmar o que todos se recusavam a cogitar. Castigo maior não deve existir. Nem ao inimigo se pode desejar tamanha carga. Ser forte quando se está fraco. Amigos. Família. No Brasil. No exterior. Perda. Indescritível. Imensurável. O que fazer? Sofrer. Relembrar. Orar. Parte da vida. Quem parte leva consigo um pouco de cada um de nós. Precisamos ser fortes. Temos que ser. Mas choramos como crianças. Inconsoláveis. Perdidos. Fraturados. Honras de herói. Os amigos jamais permitiriam, mesmo com a falta de sensibilidade de alguns, que qualquer momento de sua homenagem fosse posta em cheque. Que houvesse algum erro. Reconhecimento público. Digno. Belo. Triste. Impecável. Cada um que é merecedor algum episódio deve guardar em si o valor pelo aquilo que fez. As salvas de tiro atravessavam o coração de todos que ali estavam pelo que representou na vida de cada um. Viveu e partiu como um herói. 1 ano. Parece que foi ontem. Nas últimas semanas pensei no que escrever. Como escrever. O que escrever. Nada me veio a cabeça. Nenhuma linha. Hoje me sentei por alguns minutos e comecei a digitar. Como há exatos 365 dias. Poucos minutos. Sem retoques. Sem releituras. Sincero. Simplesmente o que estava na cabeça. Agora. O que me vem? Um sorriso enorme. Incentivador. Motivador. Feliz. Uma referência. Um apelido criado e somente usado por ele. Sonhos antigos compartilhamos. Entramos juntos na vida policial militar. 3 anos de Academia. Todos os dias. Por todo o dia. Trabalhamos juntos no Brasil. Trabalhamos juntos no Haiti. Dificuldades aqui e lá. Felicidades aqui e lá. Me visitou. Me ajudou no Brasil. Me ajudou no Haiti. Talvez eu também o tenha ajudado de alguma maneira. Um dia saberei. Ou não. Não importa. Eu aprendi. Ganhei. Recebi. Lembro-me da última vez que nos vimos. Fim de 2007. Saímos para jantar. Um restaurante francês no então charmoso bairro de Pétion-Ville. Lembranças. Conversas. Risadas. Perspectivas. Dúvidas. Fim de 2009. Algumas ligações. Lembranças. Conversas. Risadas. Perspectivas. Dúvidas. Um dia será eu. Um dia outro ente querido, amado. O que realmente importa é poder pensar em seu nome e somente lamentar sua prematura partida. Mas ao mesmo tempo rir de quem fez rir. Da alegria. Do bom humor. Do eterno carpe diem. Da família que ficou e foi incorporada por tantos. Do herdeiro que tanto com ele se assemelha. Lembranças. Sempre ótimas. Eu só tenho a agradecer. Que prazer. Obrigado por ter feito parte da minha vida. De nossas vidas. Merci mon ami Cleiton Batista Neiva. 12 de Janeiro de 2011.
“Carrier”

Nossas homenagens à memória de todos que perderam suas vidas nesta grande tragédia.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Tenente Coronel Braga assume SubChefia da Casa Militar no Pará

Agora à tarde recebi e-mail do Capitão Bassalo, da Polícia Militar do Estado do Pará, veterano da MINUSTAH, informando que outro veterano também da MINUSTAH assumiu função de destaque na Casa Militar do Governo do Pará. Trata-se do Ten Cel Braga (na foto acima durante cerimônia do nosso Medal Parade em outubro de 2007), o qual foi meu Contingent Commander e Chefe de Unidade (Traffic and Circulation Unit) durante o segundo semestre de 2007 em Porto Príncipe. É com grande satisfação que recebo esta notícia e, com certeza, todos que o conhecem partilham do mesmo sentimento.
Abaixo transcrevo a informação do Capitão Bassalo:
"O Ten Cel José Vicente Braga veterano da MINUSTAH(Contingente 2007/2008) foi nomeado Sub Chefe da Casa Militar do Governo do Estado do Pará. Oficial disciplinado e competente com currículo extenso, ainda consta como aprovado(nos dois idiomas: inglês/francês) no Banco de dados do COTER para cumprimento de missões de paz, nos exames prestado em Manaus no final de agosto do Ano passado, e ainda concorrendo a vaga de Oficial de doutrina policial da ONU em Brindisi na Itália."
Na verdade o Ten Cel Braga está retornando para a Casa Militar do governo do Pará, de onde saiu para integrar a Missão de Paz da ONU no Haiti no período de dezembro de 2006 à dezembro de 2007.
Parabéns ao grande Comandante do Contingente 2007/2008 da MINUSTAH!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

MINUSTAH: Capitão Algenor comanda operação contra o narcotráfico

Dando continuidade às operações de combate ao tráfico de drogas no Haiti, o Capitão Algenor (foto acima), da Polícia Militar do Estado do Amazonas- PMAM, comandou ontem uma operação policial na região de Saint Marc onde foram detectadas plantações de maconha, ao todo foram destruídos seis campos repletos de pés de cannabis sativa. A operação contou com a participação de sete UNPOLs da Diretoria de Operações MINUSTAH, dentre os quais estavam o Capitão Algenor e o Capitão Tadeu, da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro - PMERJ, quatro UNPOLs pertencentes à região de Saint Marc, dois Policiais Haitianos da PNH, bem como contou com o apoio de sete militares do contingente militar argentino.
Segundo o Capitão Algenor, o grupo foi recebido com tiros ao chegar ao local das plantações e reagiu ao ataque. Não houve feridos e os traficantes conseguiram fugir do local. No entanto, o mais importante é que a plantação foi destruída e cerca de 100 quilos de maconha foram apreendidos e levados para Porto Príncipe em mais um duro golpe no narcotráfico haitiano. Na foto abaixo podemos ver parte dos integrantes da operação (Cap Tadeu èsq. e Cap Algenor à direita).
Abaixo, outros dois momentos da operação na região de Saint Marc, mais especificamente na localidade de Blissard, sendo que na primeira vemos o Capitão Algenor atravessando um riacho com um feixe de plantas de maconha. E na segunda, o descarregamento da droga em Porto Príncipe.
Parabéns à equipe da DIROPS e, em especial, aos UNPOLs brasileiros em mais esta ação exitosa em terras caribenhas.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Conselho de Segurança da ONU renova sua composição

O Conselho de Segurança das Nações Unidas sofreu uma mudança em sua composição no dia 1º de janeiro, visto a conclusão do mandato de 02 anos de alguns países e a assunção das cadeiras vagas pelos cinco novos membros não-permanentes eleitos em outubro do ano passado. Os novos integrantes do Conselho de Segurança para o biênio 2011-2012 são a Colômbia, a Alemanha, a Índia, Portugal e a África do Sul. Já o Brasil entra para o 2º ano de seu mandato e deverá assumir a Presidência rotativa do Conselho de Segurança no mês de fevereiro. Neste mês de Janeiro a Presidência será exercida pela Bosnia-Herzegovina.
O Conselho de Segurança certamente terá muito trabalho pela frente, a começar pela recontagem dos votos da eleição no Haiti a qual definirá os candidatos que irão para o segundo turno, o referendo sobre a separação do sul do Sudão e a atual crise na Costa do Marfim que coloca aquele país africano sob a ameaça de uma nova guerra civil.
Fonte: Site UNDISPATCH

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

MINUSTAH: O Natal dos UNPOLs brasileiros

Bom, após escrever o post sobre as comemorações de final de ano nas operações de paz, recebi informações específicas sobre como foi o Natal de nossos amigos UNPOLs brasileiros em Porto Príncipe. E, logicamente, não poderia deixar de registrar a festa de natal organizada por eles em conjunto com UNPOLs canadenses e colombianos em um orfanato que abriga 45 crianças na periferia da capital Haitiana.
Como já escrevi no texto anterior, estas ações são voluntárias e implicam em dispensas temporárias do serviço por parte das chefias de Unidade às quais pertençam os UNPOLs. Através da sequência de fotos abaixo podemos ter uma idéia de como este dia foi especial para as crianças e para os UNPOLS. Nas duas primeiras fotos podemos ver a chegada ao orfanato e o momento em que o pessoal estava descarregando os presentes das viaturas. Na primeira foto estão o Capitão Tadeu, da Polícia Militar do Rio de Janeiro - PMERJ, e o Tenente Couto, da Polícia Militar de Pernambuco - PMPE. Já na segunda vemos o Capitão Honda, da Polícia Militar do Amazonas - PMAM.
Durante a festa, as crianças confraternizaram com os policiais, participaram de brincadeiras e receberam de presente brinquedos e livros infantis. Para completar a festa, foi servido um lanche com cachorro-quente, salgadinhos, doces e suco. Podemos visualizar alguns momentos da festa nas fotos seguintes:

A seguir, vemos o Capitão Honda, o Tenente Couto e o Capitão Tadeu juntamente com um UNPOL colombiano e uma UNPOL canadense em uma foto com a madre coordenadora do orfanato.

As fotos seguintes registram dois momentos de confraternização dos brasileiros com as crianças haitianas.


Para finalizar, como forma de agradecimento, as crianças prepararam cartões de Natal que foram entregues aos UNPOLs. Na foto abaixo vemos o Tenente Couto com o seu cartão de natal, o qual acredito ter um grande valor sentimental para ele, visto que o Couto estava realizando uma das últimas atividades na MINUSTAH, em decorrência da conclusão do seu tempo de serviço na missão no dia 26 de dezembro.O fato de estar longe de casa em datas como estas, carregadas de forte emoção, faz com que ações como a que os UNPOLs brasileiros participaram no último final de semana em Porto Príncipe produzam uma grande sensação de alegria para contrastar com os problemas enfrentados no dia-a-dia. Esta alegria podemos ver nos sorrisos estampados nos rostos tanto dos UNPOLs quanto das crianças e coordenadores do orfanato. O comentário que o Tenente Coronel Braga, da Polícia Militar do Pará, fez no post anterior sintetiza um pouco este sentimento..."Passar o natal longe da família é duro....Mas a experiência de ajudar alguém compensa de certa forma". O T Cel Braga é veterano da missão no Haiti e fala com experiência sobre o assunto, pois chegou a Porto Príncipe no dia 19 de Dezembro de 2006 e, logo no primeiro final de semana de missão, já experimentou o sentimento de passar um natal longe de casa.

Operações de Paz: Celebrações de Natal e Ano Novo

Durante esta semana os programas jornalísticos televisivos, além das notícias do dia-a-dia, deram ênfase aos preparativos dos brasileiros para as comemorações de Natal e Final de Ano. Vimos matérias tanto sobre a fé religiosa quanto sobre a corrida consumista em busca dos presentes e lembrancinhas natalinas. Na manhã do dia 24 de dezembro me surpreendi com uma reportagem sobre um shopping center em São Paulo que "virou" a noite com todas as lojas abertas e muita gente fazendo compras durante a madrugada.
Foi com este espírito que resolvi escrever um texto sobre como são comemoradas estas datas pelos integrantes de uma missão de Paz. Bom, o primeiro "problema" é que os integrantes da United Police – UNPOL - trabalham todos os dias. Isto mesmo, de domingo à domingo, sem folga. Os dias 24 e 25 de dezembro, assim como os dias 31 de dezembro e 01 de janeiro são tratados como os demais dias, isto é, de muito trabalho. Ou você está de folga porque programou o seu CTO (Compensatory Time Off) para este período ou então está trabalhando. Pode ser no expediente, das 08 horas às 17 horas, ou em alguma escala dividida em turnos de serviço durante as 24 horas do dia.
Soma-se a isso o fato de que o Natal, por exemplo, é uma comemoração tradicional do Ocidente. E em uma Missão de Paz você convive diariamente com policiais oriundos do chamado "Oriente". Mesmo no ocidente encontramos muitos países muçulmanos, como no caso de vários países do continente africano. Recordo de uma situação em que estava conversando com um policial do Niger que integrava a minha Unidade (Traffic and Circulation Unit) em Porto Príncipe e ele me questionou o que estávamos comemorando no Natal. Eu prontamente respondi que comemorávamos o nascimento de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Ele me retrucou com um leve sorriso no rosto..."O Filho de Deus?" E continuou dizendo...."não pode ser, ele é um dos profetas, assim como Maomé, ao qual Deus revelou o Evangelho, não seu filho...". O certo é que, respeitada as diferenças religiosas e culturais, o período de Natal e de celebração do Ano Novo se torna especial para alguns UNPOLs. É comum contingentes inteiros ou grupos mesclados de diferentes nacionalidades prepararem festas ou distribuírem presentes em comunidades carentes, asilos ou orfanatos. Isto aconteceu quando eu estava no Haiti, conforme texto que publiquei ano passado no dia 25 de dezembro sob o título “O Natal em um orfanato de Porto Príncipe”(clique sobre o título para ler o texto na íntegra). Este ano verifiquei que iniciativas semelhantes foram tomadas no Timor Leste e no Haiti. No Timor os UNPOLs integrantes do contingente de Portugal distribuíram presentes em orfanatos e entidades de caridade. Segundo o site oficial da UNMIT, foram cerca de 8 toneladas de donativos e presentes que foram enviados de Portugal para que fossem distribuídos pelos policiais portugueses. Na foto abaixo vemos um destes momentos, onde um UNPOL português confraterniza com crianças de um orfanato de Dili.
Já no Haiti, integrantes do contingente UNPOL canadense fizeram a distribuição de brinquedos, doces e livros infantis em um campo de desabrigados localizado perto do bairro de Belvil, na capital Porto Príncipe. Foram cerca de 600 brinquedos arrecadados no Canadá entre os familiares e amigos dos policiais canadenses, os quais foram distribuídos entre crianças de 3 a 12 anos. A distribuição dos presentes ocorreu na semana passada, 21 dezembro, conforme podemos ver nas fotos abaixo.

Por fim, destaco que estas ações são tomadas de maneira voluntária pelos UNPOLs não só no Natal, mas durante o ano inteiro, complementando as ações assistênciais dos vários organismos internacionais que se encontram trabalhando nestes países.

Fonte: sites da UNMIT e MINUSTAH

Fotos: Logan Abassi (MINUSTAH) e Martine Perret (UNMIT)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

MINUSTAH: End of Mission do Tenente PMPE Couto

No próximo domingo (26) o 1º Tenente Ricardo Phillipe Couto de Araújo, da Polícia Militar do Estado de Pernambuco, deverá iniciar sua viagem de regresso ao Brasil após cumprir 12 meses de serviço na Missão de Paz da ONU no Haiti - MINUSTAH. Durante este período pudemos acompanhar, através do blog, as atividades do Tenente Couto em Porto Príncipe e constatamos, mesmo à distância, que esse Oficial soube muito bem representar sua corporação policial, seu Estado e o Brasil perante a comunidade de nações que integram a missão no Haiti.
Com certeza estes meses, passados em terras caribenhas, jamais sairão da memória do Tenente Couto. O seu trabalho já foi reconhecido e documentado através de um elogio feito pelo Comandante do Contingente Policial brasileiro no Haiti, Capitão Algenor, da Polícia Militar do Estado do Amazonas, o qual foi enviado ao COTER e ao comando da PMPE.
Como forma de também prestar nossas homenagens a este valoroso policial brasileiro, faremos abaixo um breve relato da estada do Tenente Couto no Haiti.

O INÍCIO

Ao chegar a Porto Príncipe em dezembro de 2009, o Tenente Couto ainda teve oportunidade de conviver por alguns dias com o Capitão Bassalo, da Polícia Militar do Estado do Pará, e o Tenente Heberton, da Polícia Militar do Distrito Federal, os quais estavam concluindo seu tour of duty na MINUSTAH. Na foto abaixo podemos ver, da esquerda para a direita, o Capitão Bassalo, o Tenente Heberton, o Tenente Couto e o Capitão Algenor. O registro foi feito momentos antes de se dirigirem ao aeroporto.

Logo após sua chegada, em virtude da sua qualificação técnica em cinofilia, o Tenente Couto foi designado para instalar e comandar a primeira unidade de policiamento com cães da MINUSTAH, a K9 Unit, conforme relatamos em 06 de janeiro de 2010. O trabalho incluiu o treinamento dos policiais haitianos para realizarem atividades com cães farejadores no aeroporto Internacional Toussaint Louverture, conforme podemos ver nas fotos abaixo. A segunda foto mostra a equipe da K9 Unit formada pelo Tenente Couto, um UNPOL americano e dois policias haitianos. Já a terceira foto mostra os policiais haitianos em atividade vistoriando bagagens no terminal de desembarque de passageiros da empresa America Airlines:

O TERREMOTO

Com pouco de tempo de missão o Tenente Couto enfrentou o maior de seus desafios: o terremoto de 12 de janeiro de 2010. Muito embora estivesse próximo ao aeroporto no momento do terremoto, o Tenente Couto integrou uma das primeiras equipes a chegar no Hotel Christoper, a então sede da MINUSTAH, necessitando enfrentar parte do deslocamento à pé, pois os destroços impediam o avanço das viaturas. Ao chegar no que restou do imponente prédio-sede da ONU, o Couto participou ativamente do resgate de vítimas dos escombros, em especial do Tenente Coronel Alexandre, do Exército Brasileiro, integrante do Estado Maior do Force Commander. Com especialização em ações de resgate, o Tenente Couto tomou a frente das ações e permaneceu durante aproximadamente 4 horas e meia sob os destroços, a três metros da superfície, até o salvamento do Oficial do EB, mesmo com a ameaça de ser soterrado em virtude dos tremores secundários que se sucederam, conforme a foto abaixo:Além da sede da MINUSTAH, o Tenente Couto participou ativamente nos trabalhos de resgate nas ruínas do Hotel Montana, residência oficial de muitos membros do Alto Escalão da Missão. Neste período, o Ten Couto manteve familiares e amigos informados sobre os acontecimentos através do envio de relatos a este blog e ao blog do Capitão Carrera. Publicamos estes relatos nos dias 18 de janeiro e 04 de fevereiro. Bem como publicamos em 19 de janeiro a informação e o link de que o Ten Couto aparecia em vídeo postado no Youtube auxiliando no resgaste do último sobrevivente dos escombros do Hotel Cristhoper.

O TRABALHO UNPOL

Passada a fase de resgates, a preocupação dos integrantes da UNPOL passou a ser a recaptura de mais de 4.000 apenados que fugiram da Penitenciária Nacional no dia do terremoto, bem como a manutenção da tranquilidade e segurança nos inúmeros acampamentos de desabrigados que surgiram em Porto Príncipe. Como podemos ver nas fotos seguintes, as quais foram tiradas em pontos distintos do bairro de Bel Air, sendo a primeira durante uma patrulha noturna e a segunda, em frente aos destroços da Catedral de Porto Príncipe, os trabalhos foram intensos e sob condições precárias:



No período que se seguiu ao desastre, o Haiti foi visitado por inúmeras autoridades e artistas, todos em missão humanitária. Na sua grande maioria, coube ao Tenente Couto e aos demais policiais brasileiros integrarem as equipes de segurança dessas pessoas. Como no caso das fotos abaixo, onde podemos ver o Capitão PMERJ Tadeu e o Tenente Couto junto à cantora Cristina Aguillera em frente ao Aeroporto Internacional Toussaint Louverture. Ou a segunda foto onde ambos aparecem ao lado do ator Sean Penn no Brazilian Battalion - BRABATT.
Outra experiência importante foi o contato aproximado, durante todo o ano, com integrantes da diplomacia brasileira, como no caso da foto abaixo, onde vemos todos os UNPOLs do Contingente Policial Brasileiro (Cap Algenor, Cap Honda, Cap Tadeu e Tenente Couto) junto ao Embaixador Igor Kipman.A proximidade com os militares brasileiros integrantes do BRABATT possibilitou que a atividade física, necessária para combater o stress do dia-a-dia, não fosse prejudicada no transcorrer do ano. Sempre que o trabalho permitia, o tenente Couto e os demais brasileiros (na foto está o Capitão Honda) utilizavam a academia "Brasil" instalada no interior do Batalhão de Infantaria de Paz do Brasil em Porto Príncipe.

O ano foi de intenso trabalho para os policiais brasileiros no Haiti, a convivência diuturna com policiais oriundos de mais de 40 países, participando de operações policiais no terreno, reuniões de trabalho, treinamentos e confraternizações, possibilitou ao Tenente Couto obter uma experiência incomensurável, tanto no campo pessoal, quanto no cultural e no profissional. O trabalho policial foi encerrado com uma missão muito importante: participar do planejamento e execução da segurança nas eleições presidenciais haitanas (foto - Ten Couto em pé à esquerda) ocorridas no final do mês passado e que se encontram em fase de preparação para o segundo turno que ocorrerá em janeiro de 2011.


A MEDALHA

Por fim, estes 12 meses de árduo trabalho na Missão de Paz da ONU no Haiti foi coroado com o recebimento da Medalha das Nações Unidas "In The Service of Peace" na maior cerimônia de Medal Parade realizada na MINUSTAH. Foram aproximadamente 1300 militares brasileiros agraciados e mais os quatro UNPOLs do nosso contingente policial. Na foto abaixo podemos ver os Oficiais brasileiros (da esq. para dir. - Cap Honda, Cap Tadeu e Ten Couto) perfilados juntos aos militares no pátio de formaturas do BRABATT.

Embora este breve relato das atividades do Tenente Couto durante os 12 meses em que esteve no Haiti não consiga abranger todas as suas realizações, acredito que sirva para que os leitores tenham uma idéia das várias situações que este Oficial vivenciou neste ano de 2010. Mesmo que ainda não o conheça pessoalmente, mas em virtude dos textos que nos enviou e do sentimento do dever cumprido que ele demonstra, acredito que o Couto tenha sido picado pela "mosca azul" das missões de paz e já esteja planejando, para o desespero dos familiares (rsrsrsrs....), qual a próxima Peacekeeping Operations que irá integrar.

Parabéns Couto, por todas as tuas vitórias em nome da paz!