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domingo, 9 de setembro de 2012

ONU: Capitães da Brigada Militar são condecorados pelas Nações Unidas

Na última sexta-feira os brasileiros comemoraram em todo o país a independência do Brasil. Mas o sete de setembro também foi um dia especial para vinte policiais militares brasileiros que se encontram longe de casa desempenhando suas funções como United Nations Police – UNPOL - em duas Missões de Paz da ONU: Sudão do Sul e Timor Leste. 
Pela primeira vez na história da participação policial brasileira nas UN Mission dois contingentes realizam a cerimônia de recebimento de medalhas das Nações Unidas, o Medal Parade, na mesma data. E a Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul esteve representada nos dois eventos. 
As cerimônias ocorreram quase que simultaneamente, pois em Juba, capital da mais nova nação africana, os atos solenes iniciaram às 11 horas da manhã e em Dili as 17:30 horas (12:30 hs em Juba devido ao fuso horário). Dentre os cinco Oficiais agraciados com a medalha da Missão de Paz da ONU no Sudão do Sul – UNMISS – está o Capitão Marco Antonio dos Santos Morais (APMRS 1997), do 3º Batalhão de Operações de Especiais de Passo Fundo. 


Já em Dili, capital do Timor Leste, entre os quinze oficiais brasileiros agraciados estava o Capitão Átila Mezadri Pezzeta (APM/RS 1995), do 29 Batalhão Polícia Militar da cidade de Ijuí. 


A Medalha das Nações Unidas “In the Service of Peace” é a mesma em todas as missões de paz da ONU, o que muda são as cores presentes na fita e no passador, as quais representam características do país onde a missão está sediada. No caso do Sudão do Sul, as cores representam o seguinte: o azul as Nações Unidas; o preto a riqueza do petróleo do país; o verde o fértil solo do Sudão do Sul e o branco a esperança de paz e prosperidade após a luta pela independência.





domingo, 2 de setembro de 2012

UNMISS: Tenente Fabio Barros - PMPR - completa um mês de missão

 

Após um período de afastamento do blog devido ao meu CTO (Compensatory Time Out) o qual aproveitei para passar 20 dias com a família no Brasil (na verdade foram 24 dias, mas perco dois dias de viagem tanto na ida quanto na volta), bem como minha transferência de Akobo para Torit, volto a escrever aqui da África. Desta vez para informar aos leitores que nosso contingente policial está finalmente completo aqui na Missão de Paz da ONU no Sudão do Sul – UNMISS. O número inicial de integrantes do contingente era seis, no entanto um Oficial da Polícia Militar de Pernambuco desistiu de embarcar por razões pessoais, motivo pelo qual nos apresentamos aqui na UNMISS apenas cinco Oficiais no final do mês de março. Simultaneamente a nossa apresentação na missão, outro policial militar foi indicado para ocupar a sexta vaga. Como os veteranos já sabem, o processo é moroso até que a documentação tramite do Brasil até a sede da missão via Nova York, ocorra a entrevista telefônica e a posterior emissão da Travel Authorization (documento que autoriza a emissão da passagem). Passados quatro meses da nossa apresentação, no último dia 31 de julho chegou a Entebbe o 1º Tenente Fábio Barros, da Polícia Militar do Estado do Paraná – PMPR. Um fato relevante a ser destacado é que no dia do embarque do Tenente Fábio Barros em Curitiba dois veteranos de missão foram ao aeroporto desejar boa sorte ao novo boina azul. Na foto abaixo aparecem o Tenente-Coronel Milton Isack Fadel Junior (Missão na Iuguslávia- UNPROFOR) e o Tenente Leandro Thereza (Haiti- MINUSTAH). 


Após uma semana em Uganda, o Tenente Fábio finalizou o Induction training em Juba, com a aprovação nos testes de direção e obtenção da Driver License das Nações Unidas. Na foto abaixo o Oficial paranaense aparece junto a policiais de Ruanda e das Ilhas Fiji durante o treinamento inicial na capital sul-sudanesa. 


Após uma designação temporária de uma semana para trabalhar em Juba, o Tenente Fábio recebeu a designação definitiva para trabalhar em Akobo, mesmo local onde estávamos eu e o Capitão Jonas. Na verdade é praxe nas missões da ONU, sempre que possível, designar os UNPOL do mesmo país no mínimo em duplas, a fim de facilitar a adaptação ao ambiente de missão. Com o Tenente Fábio não foi diferente. No entanto, simultaneamente à designação dele para AKobo, eu e o Jonas recebemos nossa transferência para Torit. Ou seja, o Fábio ficaria sozinho na remota Akobo, o que convenhamos não seria um bom começo para ele. Em vista disso, imediatamente após a publicação das designações, nosso contingente em Juba conseguiu reverter a publicação junto à unidade de Human Resources e o Tenente Fabio foi designado finalmente para Wau. Uma capital de Estado onde a base da ONU é bem estruturada e já contou com a presença policial brasileira em 2010/2011 com o Capitão Emerson – PMSC, e o Tenente Melo - PMSP . Em contato que mantive hoje com o Tenente Fabio ele me relatou que está muito satisfeito com sua unidade em Wau e está aproveitando cada oportunidade que tem de conversar com os policiais e a comunidade local a fim de colher o maior número possível de informações a cerca da cultura e tradição do povo sul-sudanês. Nas fotos abaixo podemos ver algumas das atividades de co-location do Tenente Fabio em Wau durante a semana que passou. Na primeira ele está junto com o UNPOL Roger, de Ruanda, no posto policial de Jabel, já na segunda com o UNPOL Ghizou Li, da China, em visita ao vilarejo de Ghana.



Parabéns ao Tenente Fabio Barros e à Polícia Militar do Estado do Paraná pelo início de tão nobre missão no continente africano! 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Sudão do Sul: 1º Aniversário de Independência, avanços obtidos e perspectivas para o futuro



Na última segunda-feira, dia 09 de julho de 2012, o Sudão do Sul comemorou seu primeiro aniversário de independência. Feriado nacional e celebrações em todas as cidades. Aqui em Akobo não foi diferente. Grande parte da população local se concentrou no pátio da Prefeitura, palco de todos os acontecimentos importantes da cidade. Nas fotos abaixo podemos ver alguns momentos da cerimônia. Na sequência aparecem alguns grupos de dança folclórica esperando sua vez de se apresentar; a tropa formada em frente ao palanque constituída de Militares, Policiais e Agentes Penitenciário; e a equipe de UNPOLs de Akobo junto às autoridades no palanque oficial.



Lideranças políticas, tribais, militares e policiais fizeram seus discursos enaltecendo este ano de conquistas, destacando principalmente a situação local. Lembraram de todos aqueles que perderam suas vidas na busca da independência, conclamando a todos aqueles que perderam irmãos, pais e filhos no tempo de guerra para que continuem perseguindo os sonhos daqueles que já partiram, lutando para que a perda de preciosas vidas não tenha sido em vão.
Mas há algum tempo eu já vinha me questionando: quais foram os progressos obtidos? Somente com o povo eu poderia obter esta resposta. Um dos momentos que entendo ser mais precioso durante a missão é quando tenho oportunidade de conversar com as pessoas simples do povo. É com estas pessoas que acabo obtendo as informações mais valiosas para entender a maneira como eles entendem a vida, a sua cultura e as perspectivas que eles tem para o futuro.
Em uma dessas conversas o tema era justamente este: se eles conseguiam visualizar alguma melhora em suas vidas após a independência. Como já referi, a análise sempre tem como base a cidade de Akobo. A reposta é unânime: quase tudo mudou para melhor. Pois após logo no início do processo de preparação para o referendum que culminou com a independênica a ONU instalou a base aqui em Akobo. Com a instalação da base, outros organismos internacionais se instalaram no município, tais como a ONG Save the Children e o Escritório do World Food Programme, agência das Nações Unidas responsável por programas de distribuição de alimentos, e o escritório da UNOPs, o qual tem como tarefa principal a construção de uma ponte sobre o rio que faz a fronteira com a Etiópia.
Todas estas agências empregam trabalhadores locais. Isso faz o dinheiro circular no comércio, fazendo com que os comerciantes, tendo mais dinheiro, possam comprar uma variedade maior de produtos para ofertar aos consumidores. A estabilidade política e de segurança também trouxe como benefício a regularidade de pagamento de salários para os funcionários públicos tais como professores, militares e policiais.  
Mas com certeza a informação que mais me impressionou foi a referente à água. Pois a realidade que encontrei quando cheguei a Akobo em abril deste ano, com bicas públicas espalhadas por toda a cidade, é relativamente nova. Há cerca de um ano e meio atrás não existiam estas bicas, a população tomava água do rio, o mesmo rio que usam para tomar banho e lavar roupas.  Dentro desta perspectiva local, a independência foi excelente para todos. Na foto abaixo podemos ver uma destas bicas.
No entanto, esta semana li um artigo publicado no periódico britânico The Guardian, o qual analisa a situação do país como um todo. O artigo alerta para o fato deque o Sudão do Sul está a beira da falência e que provavelmente enfrentará problemas para pagar os salários dos funcionários públicos já no mês de agosto. Isto se deve ao fato da paralisação na produção de petróleo. O governo local tomou esta decisão tendo em vista os problemas com a demarcação da fronteira e a cobrança de altas taxas de estocagem e transporte do petróleo por parte do governo do Sudão do Norte.  O único caminho disponível para o Sudão do Sul exportar seu petróleo é através dos oleodutos e do porto do Sudão do Norte. Em abril deste ano o Presidente Salva Kiir viajou à China em busca de financiamento para a construção de um oleoduto que alcançasse o Mar Vermelho através da Etiópia, no entanto não obteve sucesso. O petróleo responde por 80% da economia do Sudão do Sul e por 98% do orçamento público.  O mapa abaixo mostra a localização dos poços de petróleo e os oleodutos existentes atualmente.

O Sudão do Norte também começa a enfrentar problemas econômicos pela diminuição na produção de petróleo e teve que iniciar um programa de corte de gastos públicos. Os analistas dizem que este problema em comum pode ser o motivo que faltava para que ambos os governos retomem as negociações para um acordo de paz definitivo que, na medida do possível, atenda aos anseios de todos.

sábado, 30 de junho de 2012

Akobo: Uma aula de Cidadania nas eleições distritais


O sistema municipal aqui do Sudão do Sul é um pouco diferente do sistema adotado no Brasil. Aqui eles trabalham com o sistema de condado, ou “County” na definição em inglês. Akobo County é formado por nove vilas as quais são denominadas, na língua local, de Payan. Sendo que o Payan principal é a própria vila de Akobo onde está situada a nossa base da ONU, bem como a Prefeitura do Condado. 
O Prefeito, chamado de Commissioner, tem a responsabilidade administrativa sobre todo o Condado, porém, tendo em vista as distâncias (o Payan mais distante está a 100 km da vila de Akobo) e dificuldades de deslocamento entre os Payans, cada vila possui um administrador local, eleito pelo voto direto da população da vila, o qual trabalha como uma espécie de sub-prefeito e se liga direto ao Commissioner. 
Fiz esta pequena introdução para que os leitores possam entender o relato que farei a seguir. Hoje de manhã a vila de Akobo amanheceu com uma agitação fora do normal. Mas isso tinha uma razão especial, pois hoje ocorreu a eleição do sub-prefeito do Payan de Akobo. Nós tivemos a oportunidade de acompanhar o processo eleitoral juntamente com a polícia local e o exército, os quais estavam encarregados da segurança do evento. Na foto abaixo eu e o UNPOL Marlon das Filipinas junto com militares e um Policial local (camuflado em tom azul).

Na foto abaixo a equipe de UNPOLs presentes na eleição: Cap Marco, Samsong (Uganda), Jack (Filipinas) e o Team Leader Stephen (Uganda).
Foi uma experiência incrível, pois o sistema eleitoral adotados pelos sul-sudaneses neste tipo de eleição é muito interessante e transparente pela maneira como foi conduzido e pelo fato de ser voto aberto. Todo o processo eleitoral aconteceu nas dependências da Prefeitura de Akobo County. Havia dois candidatos, os quais ostentavam um cartaz com o seu nome e sentaram em uma cadeira um de frente para o outro, a uma distância de uns 20 metros entre si. À medida que os eleitores chegavam e acessavam o pátio da Prefeitura iam sentando em filas no chão atrás de seu candidato. Homens à esquerda do candidato e mulheres à direita em filas distintas (fotos abaixo).

O processo se estendeu pela manhã toda. Como duas torcidas organizadas, os eleitores entoavam canções e muitas vezes dançavam sem, no entanto, hostilizar os adversários políticos em nenhum momento. Ao final da manhã, a contagem dos votos foi feita de maneira visual pela comissão eleitoral, contando o número de pessoas sentadas atrás de cada candidato, sem qualquer tipo de cédula. A decisão foi proclamada e aceita por todos sem contestação, pois bastava olhar para os dois lados e ver quem tinha vencido (foto abaixo no momento da proclamação do resultado).




Fantástico pela simplicidade, rapidez e comportamento amistoso entre os partidários de cada candidato.

Uma verdadeira aula de cidadania!

domingo, 17 de junho de 2012

Sudão do Sul: Desafios da nova Nação africana

Este mapa representa um dos maiores desafios do governo do Sudão do Sul após a declaração de independência em 09 de julho de 2011: fazer com que o sentimento de nação supere o sentimento tribal. O país é divido em 39 grupos étnicos diferentes, os quais estão identificados pelas cores e nomes no lado esquerdo do mapa. O mapa também deixa bem claro que estes grupos étnicos possuem o seu próprio “território” dentro do país. Além disso, também possuem o seu próprio idioma o qual é utilizado nos diálogos do dia-a-dia em suas comunidades. Para se comunicarem entre os diferentes grupos eles utilizam o árabe, idioma aprendido de pai para filho e que a grande maioria fala, mas não sabe ler ou escrever em tal idioma. O inglês então, mesmo sendo declarado idioma oficial do país após a independência, só é falado por quem freqüentou a escola. E como vocês podem imaginar, o índice de freqüência escolar é muito baixo ainda. O inglês agora faz parte do currículo escolar nacional. É matéria obrigatória desde a primeira série do ensino fundamental. O resultado disso é que muitas vezes, durante nosso trabalho, conseguimos conversar em inglês de forma básica com as crianças e não conseguimos com seus pais. Cada grupo étnico possui também sinais característicos feitos no rosto dos homens quando estes atingem a idade de 15 anos, como um ritual de passagem para a idade adulta. Bom, alguém poderia pensar.....sinais tribais.....África...tudo certo! ERRADO... esta prática de marcação foi introduzida pelos ingleses durante o período colonial, pois eles tinham que saber com que tribo estavam tratando dos seus negócios por estas bandas. Após a partida dos europeus, os locais deram prosseguimento às marcações faciais, ação que o governo agora quer abolir através de campanhas de incentivo ao abandono desta prática. Uma tarefa difícil, pois existem casos de meninos que se marcam sozinhos, mesmo contra a vontade dos pais, pois querem se sentir adultos, eles querem parecer como os demais, ou seja, querem “deixar de ser criança” sob a ótica da cultura local. O abandono de práticas tradicionais, em qualquer parte do mundo, demanda tempo e conscientização do povo. O governo e as lideranças tribais estão fazendo a sua parte, buscando a cada dia, a cada reunião comunitária, a cada contato com o povo explicar as vantagens da abolição completa desta prática. O caminho a ser percorrido é longo, mas eles têm convicção e sabem onde querem chegar.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

UNMISS: Tudo que você precisa saber sobre acomodações.

Uma das primeiras preocupações de um policial a serviço das Nações Unidas ao chegar em sua área de missão são as acomodações. Essa é uma pergunta que sempre me fazem: Tem alojamento? Bom, a resposta pode ser “sim” e “não”. Na maioria das vezes é “não”, mas isso não significa que você viverá melhor ou gastará menos caso receba alojamento da ONU. Tentarei explicar de forma resumida.
Não. As missões da Guiné Bissau, Haiti e Timor Leste não possuem acomodações nas bases. Todo o pessoal da ONU deve procurar local para morar. Normalmente são utilizadas casas ou hotéis, sendo que esta última opção é encontrada mais facilmente nas capitais. Já quem está no interior tem que se contentar com o que a região oferece. A escolha fica a critério do UNPOL e alguns parâmetros são estabelecidos como senso comum: Segurança, localização e preço. Se Você conseguir aliar todos, se considere uma pessoa de sorte. Nem sempre é possível. Logicamente a segurança vem em primeiro lugar.
Sim. A missão do Sudão do Sul oferece acomodações para o pessoal da ONU. Mas esta missão tem uma característica diferente. A pouca infra-estrutura do país não oferece condições de viver fora das bases da ONU, quer seja pelas condições das moradias ou principalmente pela questão de segurança. Por isso a missão moldou-se de forma a oferecer acomodações ao UN Staff. Encontramos alas residenciais em todas as bases.
Em Juba existem duas bases: a base ao lado do aeroporto, onde está localizado o alto comando da missão, e a nova base de Juba III. Esta foi recém inaugurada, localizada fora da zona urbana, para onde se transferiram a maioria das seções policiais e militares da capital. Em ambas temos alas residenciais com toda a estrutura sanitária necessária. A nova base de Juba III apresenta uma inovação: foram construídas casas de alvenaria tipo sobrado que podem abrigar 4 pessoas, ainda não foram inauguradas, mas estão prontas. Segundo informações o aluguel será em torno de 2.500 dólares. Na base do aeroporto existem aproximadamente cinco alas residenciais, sendo que quatro são de contêineres e uma de Barracas. Mesmo assim a fila de espera para um contêiner é de aproximadamente 6 meses. Ou seja, se você ficar na capital provavelmente enfrentará problemas. Na foto abaixo, um das alas residenciais da base do aeroporto.

Nas bases existentes nas 10 capitais Estaduais também encontramos alas residenciais, sendo que a fila de espera é menor ou, em alguns locais, existem contêineres disponíveis de imediato. Isso ocorre porque a maioria dos UNPOLs africanos, mais adaptados às condições do ambiente, moram fora das bases. Nas capitais também temos boas condições e estrutura sanitárias com banheiros coletivos. Na foto abaixo, parte da ala residencial da base de Bor, capital do Estado de Jonglei onde trabalho. No lado esquerdo vemos os banheiros coletivos e na direita os contêineres de moradia.

Existem contêineres tamanho standard para uma pessoa, bem como também existem contêineres um pouco maiores que abrigam duas pessoas com conforto, como os da foto acima. Todos os contêineres são equipados com cama, roupeiro, mesa, cadeiras, escrivaninha, frigobar e TV (alguns locais onde exista algum canal disponível ou sistema da TV a cabo). Se você ocupar um contêiner, a ONU desconta 21 dólares por dia das suas diárias. O que significa um aluguel de 630 dólares (mês de 30 dias) ou 651 dólares (mês de 31 dias). O valor é o mesmo se você está sozinho ou divide o contêiner com alguém. Normalmente policiais do mesmo país optam em moram juntos, pois dividem as tarefas da cozinha. Sim, aqui no Sudão do Sul você tem que preparar o seu próprio alimento. Embora existam restaurantes nas bases das capitais, fazer todas as refeições nestes locais acaba se tornando muito caro. Normalmente café e janta o pessoal faz no próprio contêiner.
Já se você for classificado em um CSB – County Support Base – que é o nome dado às bases da ONU localizadas nas cidades do interior, esteja preparado para morar em barracas dividindo o espaço com outros 4 ou 5 UNPOLs. Existem CSBs que possuem certa estrutura, principalmente os mais antigos. Eu conheço a realidade apenas de Akobo, mas sei que os outros CSBs não são muito diferentes. Em Akobo somos 10 UNPOLs dividindo 2 barracas. São 6 em uma e 4 em outra. Esta última barraca tem um número menor de UNPOLs porque também é utilizada como o nosso escritório. As barracas também são utilizadas como cozinha. Ambas possuem ar condicionado e ventilador de teto. No entanto, as condições sanitárias são precárias, pois temos banheiros coletivos, mas não temos sistema hidráulico. Ou seja, temos que tomar banho de balde e caneca, bem como usamos balde para dar descarga no banheiro (foto abaixo).

Também não temos água potável à disposição. Somos abastecidos duas vezes por semana com vôos da ONU que partem de Bor para Akobo com água tratada na Base de Bor. Bom, nem tudo são agruras nos CSBs. Devido ao fato de estarmos morando em barracas de uso coletivo, tipo alojamento (foto abaixo), a ONU não nos cobra nada por isso.

Ou seja, em dois meses de estadia em Akobo eu economizo 1.281 dólares, aproximadamente o valor de uma passagem, ida e volta, ao Brasil. Atualmente o valor da passagem está entre 1.400 a 1.700 dólares, dependendo da disponibilidade dos dias, rotas e empresas aéreas escolhidas. Ainda dentro deste tema, a ONU paga as despesas de viagem (passagens aéreas) apenas no começo e no final da missão. Todas as viagens realizadas nos períodos de folga durante a missão correm por conta do UNPOL. 
Uma última informação, para saciar a curiosidade de muitos, o valor da diária que a ONU nos paga aqui na Missão do Sudão do Sul é de 136 dólares. Sendo que no primeiro mês, tendo em vista despesas extras necessárias para o início da missão, a diária é de 188 dólares.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

UNMISS: Um panorama sobre a Missão no Sudão do Sul

Na última sexta-feira, 06 de maio, de 2012, o Comando da Brigada Militar realizou um painel sobre a participação da Brigada Militar nas Missões de Paz das Nações Unidas. O evento aconteceu nas dependências da Academia de Polícia Militar, em Porto Alegre. A palestra de abertura foi proferida pelo veterano Boina Azul Coronel PMDF Nelson Werlang Garcia. Em continuidade ao evento, oficiais da Brigada Militar veteranos de missão puderam expor aos presentes as experiências adquiridas nas missões de El Salvador, Haiti, Kosovo, Guiné Bissau e Timor Leste. O painel foi abrilhantado, ainda, pela participação via skype, com som e imagem, do Capitão Ricardo Freitas da Silva, veterano do Haiti, e que agora encontra-se cedido às Nações unidas, desempenhando função junto ao Alto Comissariado dos Direitos Humanos em Genebra. Os problemas de internet aqui em Akobo - UNMISS - não permitiram minha participação ao vivo, mas enviei um texto e fotos para que o Capitão Osório pudesse dar algumas informações a respeito da Missão da ONU aqui no Sudão do Sul. O texto é o seguinte:
"Atualmente desempenho a função de United Nations Police – UNPOL - na Missão de Paz da ONU no Sudão do Sul, aonde cheguei no último dia 27 de março para uma estadia de 12 meses. Esta é minha segunda missão, pois estive no Haiti no período de junho de 2007 a junho de 2008. Esta experiência prévia está me possibilitando a comparação entre a estrutura das duas missões e a missão do UNPOL em cada país. E de fato são duas missões bem diferentes. A começar pelo fato de a UNMISS ser uma missão desarmada, ao contrário da MINUSTAH onde os UNPOLs portam o armamento que utilizam em país de origem. 
O Sudão do Sul é o mais novo país aceito na comunidade de nações. Conseguiu sua independência do Sudão em 09 de julho do ano passado, após mais de 20 anos de guerra civil. A separação foi decidida em um plebiscito onde a população escolheu, com mais de 90% dos votos, a independência. Mesmo com a independência sendo parte de um acordo de paz, a paz está longe de ser realidade na fronteira entre os dois países. O motivo é a demarcação da fronteira e a divisão dos campos de petróleo existentes na área. Uma semana antes da declaração oficial da independência do Sudão do Sul, o Sudão enviou tropas militares para a região de Abyei, rica em poços em atividade de extração, região que pelo acordo pertenceria ao sudão do Sul. Mesmo com a promessa de retirada, isso até hoje não ocorreu. Acirrando os ânimos na fronteira.
Durante a guerra civil o sul possuía uma milícia rebelde que lutou intensamente contra o domínio do norte. Após a independência esta milícia rebelde tornou-se o exército regular do Sudão do Sul. A polícia local é formada também por estes ex-rebeldes. Em 2006, após a assinatura do tratado de paz que iniciou o processo que culminou com a independência, o governo provisório do sul buscou nas fileiras da milícia rebelde voluntários para comporem o efetivo da recém criada SSPS – South Sudan Police Service. Ou seja, estes homens e mulheres anoiteceram rebeldes e amanheceram policiais, com todos os deveres e responsabilidades da função. Um sinal desta herança militar recente é que o fato de a polícia sul-sudanesa não usar revólveres, pistolas ou qualquer tipo de arma curta. Todos ostentam apenas os famosos AK-47.

Deste então a ONU vem treinando estes policiais de maneira direta, no transcorrer do serviço, no acompanhamento das atividades diárias, tentando passar o mínimo de conhecimento necessário para que estes desempenhem suas atividades com respeito as direitos humanos e com um mínimo de técnica policial. Nosso trabalho como Police Advisor, Conselheiro policial, é executar as atividades de treinamento da polícia sul - sudanesa. Este treinamento, embora padronizado pela ONU, difere de local para local, de acordo com a estrutura que encontramos, normalmente precária, e condições do efetivo policial. Essa atividade é denominada de “co-location”. 
Quanto à estrutura, a UNMISS possui um Quartel General na capital, Juba, e bases regionais nas capitais dos 10 Estados do Sudão do Sul. Cada Estado possui ainda, em média, três County Support Base – CSB. Que são bases avançadas em cidades do interior. Atualmente existem 28 CSB, mas o projeto é chegar em 42 até o início de 2013. Após o treinamento inicial (Induction Training), eu e o Capitão Jonas da PMSC, fomos designados para o CSB Akobo, cidade com aproximadamente 15 mil habitantes situada no Estado de Jonglei, na parte leste do país, na divisa com a Etiópia. Aqui em Akobo estamos a apenas 6 km da fronteira. Os desafios são grandes, a começar pelo idioma. Em todas as atividades externas precisamos do auxílio de um tradutor. Aqui em Akobo temos dois. O idioma oficial do Sudão do Sul, após a independência, é o inglês. No entanto, a população adulta fala somente o idioma de sua tribo e um pouco de árabe, com o qual todos conseguem se comunicar, resquícios do tempo em que faziam parte do Sudão do Norte e que é islâmico. O sul é católico. São mais de 30 tribos espalhadas pelo país. 
Nosso trabalho diário aqui em Akobo é acompanhar as atividades da polícia local, tanto no quartel central quanto nos postos de policiamento espalhados na região. Durante estes contatos com os policiais (foto acima) transmitimos o conhecimento através de conversas com pequenos grupos sobre diversos assuntos que englobam direitos humanos, direitos de pessoas presas, direitos de crianças e mulheres, uso da força, uso de algemas, busca pessoal, revista e prisão de suspeitos, preservação do local de crime, entre outros. Sempre seguindo o padrão de treinamento determinado pelas Nações Unidas. Não podemos realizar, por enquanto, um treinamento mais sofisticado, pois a maioria dos policiais são analfabetos, pelo menos aqui em akobo, mas a realidade do país não é muito diferente. Por isso o método da conversa se mostra o mais eficaz.
Com relação à estrutura da nossa base, ela é totalmente cercada, com guaritas nas extremidades, com guarda 24 hs executada por uma Companhia do Exército indiano. O efetivo UNPOL está alojado em duas barracas, com estrutura de ar condicionado e ventiladores de teto, sem os quais ficaria impossível permanecer no interior durante o dia, pois a temperatura ultrapassa os 45 graus facilmente. Recebemos semanalmente dois vôos de abastecimento, nos quais nos enviam água potável da capital do Estado. A água utilizada para banho, lavar roupas e lavar a louça é a mesma utilizada pela população local. E temos que buscá-la duas vezes ao dia em uma das bicas públicas existentes na cidade. Todo UNPOL designado para um CSB é orientado a trazer seus gêneros alimentícios que o possibilitem passar no mínimo um mês, sem a necessidade de compras. Nas bases existentes nas capitais existem restaurantes, mas nos CSB temos que preparar nossa própria alimentação. Outra dificuldade é que nossa energia elétrica é fornecida por geradores, os quais são desligados duas vezes ao dia (09:00 às 12:00 e das 16:00 às 19: hs) para economia de combustível. Temos banheiros, mas não temos sistema de água encanada. Se usar o banheiro tem que dar a descarga com um balde de água. Banho só de caneca. Mas isso faz parte da missão, já estamos plenamente acostumados.
Somos 09 UNPOLs aqui em Akobo. Dois brasileiros, dois Bósnios, dois de Uganda, dois das Filipinas e um da Turquia. O contato com estes policiais nos proporciona um conhecimento aprofundado de cada sistema policial nos diferentes países, como cada instituição policial trata determinado assunto, segundo sua cultura e lei nacional.
Tenho abastecido o facebook (facebook.com/cap.marco) com mais freqüência que o blog, pois é mais fácil para mim, devido aos problemas de conexão de internet. A ONU não autoriza o uso de seus computadores para fins particulares, sendo que sites como o MSN e Facebook estão bloqueados. Utilizamos aqui modens 3G que cada um teve que comprar na capital Juba. A velocidade de conexão gira em torno de 15 kbps, ou seja, para carregar uma foto de 250 kb, levo em torno de 5 minutos.
Boa tarde a todos!
Capitão Marco Morais – UNPOL
UNMISS - 2012"

quarta-feira, 18 de abril de 2012

UNMISS: Chegada em Akobo e estrutura da base

Na última quinta-feira iniciamos, eu e o Capitão Jonas – PMSC , nossa viagem de Juba rumo a Akobo, nosso posto de trabalho pelos próximos 3 meses aqui no Sudão do Sul. Viajamos em um helicóptero russo de transporte de pessoal que é o transporte padrão da ONU aqui na United Nations Mission in south Sudan – UNMISS. Existem vôos de asa fixa somente entre as maiores cidades, como Juba , Wau e Malakal. Na foto abaixo está o Capitão Jonas no momento do embarque em Juba.


Durante este deslocamento tivemos que fazer uma escala de um dia em Bor, capital do Estado de Jonglei, onde está localizada a cidade de Akobo, para fins de procedimentos burocráticos e os últimos briefings sobre a segurança na região da fronteira com a Etiópia. A base da ONU em Bor está ainda em construção, mas oferece todo o conforto necessário para o bom desempenho da missão. Na área interna da base encontramos um restaurante e uma cafeteria, bem como uma ala de contêiners de moradia. Existem também alguns conteiners de trânsito, como o que ficamos hospedados. Muito embora seja coletivo, tem ar condicionado e boa proteção contra os mosquitos.


No dia seguinte, sexta-feira 13 de abril (data sugestiva para chegar a Akobo, como diria Zagallo: foi nosso dia de sorte!). A primeira visão de Akobo foi realmente impressionante, por todos os lugares em que andamos vimos casas de alvenaria e também as casa de barro e palha chamadas de Tukul. No entanto, aqui em Akobo, toda a cidade é feita de Tukul. Cerca de 5.000 pessoas vivendo em Tukuls, muitos cozinhando e dormindo ao relento dependendo o número de membros da família, pois o espaço interno dos Tukuls não é muito grande. Foto abaixo ( a qualidade da foto não é boa, pois tive que tirar uma foto do vídeo que fiz da chegada, mas da para ter uma idéia do que estou falando).
Chegamos enfim ao County Base Support – CSB – como são denominadas as bases da ONU em municípios pequenos do interior como akobo. A base não é muito grande, fica situada na principal rua da cidade. Tem uma área de no máximo 3.600 metros quadrados (60 X 60 m) que abriga 07 Barracas. Destas, 02 são para UNPOLs; 01 Barraca para alguns engenheiros civis da ONU os quais estão com a responsabilidade de construir uma nova base aqui em Akobo, mais ampla e com conteiners de moradia; e 04 Barracas para militares do Exército da Índia, os quais são responsáveis pela nossa segurança. Dentro da base temos também 03 geradores que fornecem a energia elétrica necessária para cozinharmos, ligarmos o ar condicionado da barraca e ventiladores, bem como utilizarmos os nossos laptops. Por motivo de economia de combustível, os geradores são desligados das 09hs ao meio-dia, e das 15hs às 18:30 hs. Temos estrutura sanitária com 03 banheiros com vaso e chuveiro. No entanto, não possuímos caixa d`água em cima impossibilitando o uso da descarga e dos chuveiros. A descarga é um balde com água e o banho também é de “caneca”. O fator positivo disto tudo é que se morássemos em conteiners a ONU nos cobraria um aluguel de 630 dólares mensais. Já das Barracas não é cobrado nenhum valor.
Fomos muito bem recebidos pela equipe de UNPOLs que já estava em Akobo: 02 policiais da Bósnia; 02 de Uganda; 02 das Filipinas; 01 da Turquia; 01 de Gâmbia e 01 da Zâmbia. Bem como pelos militares da companhia do Exército indiano.

Nossa internet aqui é particular, cada um teve que comprar um modem de uma companhia telefônica do Sudão, pois a internet disponibilizada pela ONU somente acessa a intranet da missão. Por isso nossa velocidade de conexão de internet é muito baixa, impossibilitando uma atualização mais constante das nossas atividades aqui em Akobo.
nas próximas postagens começarei a mostrar um pouco do trabalho UNPOL aqui no CSB Akobo, bem como a características e peculiaridades do povo sul-sudanês.

sábado, 7 de abril de 2012

UNMISS: Concluímos a segunda semana de treinamento e recebemos o Deployment

Chegamos em Juba, capital do Sudão do Sul, na última segunda-feira e iniciamos os procedimentos burocráticos de check-in na missão. Aqui nós realizamos a segunda parte do Induction Training, com instruções mais específicas sobre a missão no terreno. As aulas foram realizadas juntamente com militares e civis que estão chegando na missão. O grupo era dividido sempre que os assuntos eram atinentes especificamente a cada grupo.

Nesta semana também realizamos o teste de direção, o qual foi bem mais fácil do que se desenhava a princípio. Primeiramente porque, ao contrário do que nos informaram em Entebbe, a mão de direção aqui não é a mão inglesa, muito embora se encontre dezenas de veículos nas ruas com o volante no lado direito. Tivemos que realizar somente uma manobra de garagem e controle da viatura em uma pequeno aclive (parada e arrancada) usando apenas o acelerador e a embreagem (procedimento errado para os padrões brasileiros) e, para finalizar, um deslocamento em uma rodovia próxima à base da ONU. Todos os brasileiros foram aprovados. Realizamos o teste junto com um contingente de policiais da Malásia, os quais dirigem em mão inglesa em seu país, sendo que dois deles foram reprovados. Eles terão mais duas oportunidades para fazer o teste. Caso não sejam aprovados, segundo palestra que tivemos com a Police Commissioner, poderá ser analisada a repatriação.


Não seremos submetidos ao teste de idioma, não nos disseram o por quê, e logicamente também não perguntamos. Como disse o TCel Eliano - PMAL, nosso Comandante de Contingente, na verdade estamos sendo testados no idioma desde a nossa chegada a Entebbe na semana passada. Pois acostumar o ouvido ao sotaque do inglês britânico falado pelos países africanos e asiáticos tem sido nossa missão diariamente aqui.
Nesta primeira semana no Sudão do Sul recebemos o suporte vital dos militares brasileiros sediados em Juba. São eles o TCel Murga, o Cap Daniel, o Cap Mattos (ambos do Exército brasileiro) e o Cap Vianna (da FAB). Eles gentilmente se ofereceram para nos receber em seus próprios conteiners, pois não havia vagas disponíveis nos alojamentos destinados para o pessoal em trânsito na base de Juba. Teríamos que deslocar para hotéis fora da base com diárias de, no mínimo, 50 dólares. Na foto abaixo podemos ver o conteiner onde estou alojado com o Cap Vianna. Fica próximo aos conteiners destinados aos escritórios e salas de aula e distante uns 10 a 15 minutos de caminhada até o outro complexo de conteiners onde está o restante do contingente policial. O conteiner é projetado para alojar uma pessoa, com ar condicionado, cama, roupeiro, mesa, estante e cadeira. Morar em conteiner é opcional, mas caso o UNPOL (militar e civil também) opte em residir dentro da base, a ONU desconta 21 dólares por dia das diárias, ou seja, o aluguel do conteiner sai por 630 dólares.
Ontem recebi minha designação (deployment). Eu e o Capitão Jonas - PMSC - iremos para Akobo, cidade de um Estado localizado no leste do país, próximo à fronteira com a Etiópia. Hoje assinamos o nosso MOP (Movement of Personnel) que é o requerimento de viagem, sendo que nosso voo está previsto para a próxima quinta-feira. Até lá ficaremos aqui na sede, em condições e uniformizados, das 08 hs às 16 hs, mas sem muito o que fazer.

sábado, 31 de março de 2012

UNMISS: Concluído o Induction Training UNPOLs brasileiros seguem para Juba

Estamos encerrando nossa semana de treinamento (Induction Training) aqui em Entebbe – Uganda. Amanhã à tarde voaremos para Juba, capital do Sudão do Sul, onde completaremos os procedimentos necessários para iniciarmos as atividades de UNPOL propriamente ditas. Dentre estes procedimentos estão a prova de inglês e a de direção (agravante: aqui em Entebbe e no Sudão do Sul é utilizada a “mão inglesa”). Reprovação na Prova de Inglês implica em repatriação ao país de origem, ou seja, a missão termina sem ter realmente começado. Bom, mas isso é assunto para a semana que vem.
Logo na nossa chegada aqui em Uganda já tivemos um pequeno problema. Chegamos a Entebbe ao final do dia da última terça-feira, dia 27 de março, e não havia ninguém da ONU nos esperando para as primeiras orientações. Tivemos que providenciar o transporte até o hotel e do hotel até a base da ONU na manhã do dia seguinte. Ao chegarmos à base, todos ficaram surpresos com a nossa presença, pois sabiam que nossa chegada estava próxima, mas não receberam qualquer informação oficial do Brasil a respeito de nossa chegada e horários de vôo. Caso tivessem recebido, estariam nos esperando no aeroporto e teriam nos buscado no hotel de manhã, procedimento que passou a se adotado nos dias seguintes.
Durante esta semana foram dois dias de aula, nos quais tivemos várias palestras (foto seguinte), incluindo assuntos como: Conduta e disciplina; mandato e estrutura da missão; proteção de civis; papel dos militares na UNMISS; papel dos policiais na UNMISS; gerenciamento de stress; comunicações; suporte médico no Sudão do Sul; respeito às diferentes culturas; HIV/AIDS; finanças e sistema de transporte da ONU. As aulas foram conjuntas para policiais, militares e civis.
O terceiro dia foi destinado às atividades burocráticas do check-in da missão, tais como: Confecção da Identidade Funcional (na foto abaixo o Capitão Jonas – PMSC – está recebendo o seu Id Card); preenchimento de documentos necessários para o recebimento das diárias antecipadas; preenchimento de currículo vitae (novamente, pois já tínhamos feito isso no Brasil); e despacho de bagagem para Juba, pois no vôo que nos levará ao Sudão do Sul amanhã somente poderemos levar conosco 20 kg de bagagem, visto a capacidade limitada de carga do avião da ONU.Em Juba ficaremos alojados, a princípio, em Contêineres na base da ONU, os quais estão destinados aos militares e policiais que estão em trânsito pela capital sul-sudanesa aguardando a designação para o seu posto de trabalho. Os postos de trabalho para policiais estão distribuídos entre a capital, Juba, e as capitais dos 10 Estados do Sudão do Sul.
Tendo em vista a dificuldade de comunicação por internet no começo da missão, tentarei colocar notícias no blog a cada 15 dias.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Sudão do Sul: UNPOLs brasileiros aguardam confirmação da data de embarque

Após um período de "férias" do blog, volto à atividade para informar ao amigos e leitores que na verdade não estive realmente descansando nesses 51 dias em que fiquei sem publicar algum texto sobre o tema que norteia este espaço.
Logo após concluir o curso presencial no Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil - CCOPAB - em outubro do ano passado no Rio de Janeiro, pensei em dar uma parada no blog para descansar e, até mesmo, desligar um pouco do tema. O descanso durou pouco, pois logo fui surpreendido, no dia 07 de novembro, com um e-mail vindo do "UNPOL Human Resources Officer" da Missão da ONU no Sudão do Sul -UNMISS - informando que já haviam tentado contato comigo várias vezes mas estavam tendo dificuldades com o número de telefone que informei no meu currículo (Personal History). Disse que eu tinha 3 dias dias para informar um novo número, caso contrário eu não seria mais entrevistado. No mesmo dia enviei o e-mail de resposta com novos números.
Após enviar o e-mail, permaneci com a incerteza de que a mensagem havia sido recebida. Por este motivo, entrei em contato com um amigo que se encontra na Missão da ONU no Timor Leste - UNMIT, o qual ainda não conheço pessoalmente mas tenho muita admiração e consideração: O Capitão Rodrigo Campos da PMDF. Pedi a ele que entrasse em contato com o responsável pelo Human Resources da UNMISS e confirmasse o recebimento do meu e-mail, pois afinal a comunicação entre as missões é coisa rotineira. Minha solicitação foi prontamente atendida por esse irmão Boina Azul, tendo inclusive me enviado cópia do e-mail de resposta da UNMISS em que informavam que tinham recebido minha mensagem e que a entrevista seria no dia seguinte.
No dia 08 de novembro fui entrevistado por um UNPOL da Malásia durante aproximadamente 45 minutos. Respondi questões ligadas a minha experiência profissional em áreas como logística, operações policiais, comando, gerenciamento de efetivo, planejamento e instrução. Tendo, ainda, respondido duas questões pontuais em que me solicitaram meu entendimento sobre o que é a polícia comunitária e o que são os Direitos Humanos.
No dia 1º de dezembro recebi do COTER o documento enviado do DPKO informando minha aprovação e designação para integrar o efetivo UNPOL da United Nations Mission in South Sudan, juntamente com outros 05 Oficiais (um TCel da PMAL, um TCel da PMPE, um Cap da PMSC e duas Tenentes da PMESP). No decorrer do processo para embarque, o Oficial de Pernambuco desistiu da missão. Em vista disso, o 1º contingente policial brasileiro no Sudão do Sul será composto inicialmente por cinco Oficiais e terá como Comandante de contingente o TCel Eliano, da Polícia Militar de Alagoas. O documento do DPKO, denominado Deployment, fixa como data provável de embarque o dia 07 de janeiro, portanto no próximo sábado. Mas como é de praxe, o prazo determinado pelo DPKO é muito exíguo para que se providencie toda a documentação e exames médicos necessários. O mês de dezembro foi "corrido", consultas a especialistas, exames médicos (sangue, eletrocardiograma, raio-X do tórax, audiometria, visão, etc...) vacinas, Inspeção Médica Militar e preenchimento de uma infinidade de documentos exigidos pelo DPKO.
Um dos procedimentos mais demorados nesta fase é a obtenção do Passaporte Oficial, pois este procedimento era realizado pelo COTER (pelo menos foi assim quando fui para o Haiti em 2007, até o visto para os EUA foi providenciado sem que eu tivesse que ir a Brasília) e agora é o próprio policial quem tem que providenciar o passaporte. É necessário acessar o site do Ministério das Relações Exteriores, na Divisão de Documentos de Viagem - DDV, preencher um requerimento, imprimi-lo, anexar uma foto e comprovantes de quitação eleitoral e, por fim, enviar toda a documentação por sedex para Brasília. Após o documento ficar pronto, em média 15 dias de espera, o Oficial deve ir a Brasília para retirá-lo pessoalmente na DDV, ou conseguir alguém para fazer isso em seu nome. Com o passaporte em mãos, o Oficial deverá assiná-lo e depois escanear o documento na página assinada e enviá-lo a Brasilia. E enfim, a documentação exigida estará COMPLETA ! Aliás, meu passaporte ficou pronto ontem. Para retirá-lo no Itamaraty contarei mais uma vez com a ajuda de um irmão Boina Azul, o Capitão Carrera da PMDF, meu colega de contingente na MINUSTAH, com o qual tive o prazer de conviver diariamente por seis meses em Porto Príncipe.
Dos Oficiais integrantes do 1º Contingente UNPOL na UNMISS, apenas o TCel Eliano e o Capitão Jonas da PMSC já estão com os passaportes em mãos.
Agora falta pouco, em breve a Polícia Militar brasileira estará iniciando sua história na mais nova Missão de Paz das Nações Unidas!

sábado, 6 de agosto de 2011

Sudão do Sul: 8 vagas para UNPOLs brasileiros

A semana que passou foi de intensa "correria" para policiais brasileiros que estão aptos para Missões de Paz da ONU. O COTER enviou ofício aos comandos das corporações policiais estaduais no último dia 28 de julho (quinta-feira) informando existência de oito vagas para UNPOLs brasileiros na recentemente criada Missão de Paz da ONU no Sudão do Sul - UNMISS.
Não se trata de um novo concurso do COTER como alguns chegaram a pensar, mas sim um processo seletivo para cargos específicos na UNMISS aos quais somente podem se candidatar Oficiais das polícias militares já aprovados em concursos anteriores do COTER e cuja aprovação esteja dentro do prazo de validade de 18 meses.
Os voluntários tiveram apenas 3 dias úteis para providenciar o preenchimento da documentação (P11 - Personnal History, etc..), o trâmite interno da indicação nos comandos das corporações e a remessa para Brasília. O prazo para os documentos estarem em Brasília era o dia 03 de agosto (quarta-feira).
Dentre os documentos enviados aos candidatos pelo COTER está o documento do DPKO descrevendo os cargos. São 20 páginas de informações, dentre as quais destacamos a que define o prazo para que os documentos dos voluntários cheguem ao DPKO: 08 de Agosto, próxima segunda-feira. Depois disso, em um prazo não estipulado, começarão as entrevistas telefônicas, as quais deverão definir os indicados para compor a missão.
Os cargos disponíveis são os seguintes:

- 07 Police Adviser nas seguintes especializações: Crime Prevention; Crime Investigation: Police Administration; Police Management; Operations/Security; Communication Network e Border and Riverine.
- 01 Police Trainer (InductionTraining Unit).

Se tudo der certo, o Brasil irá continuar a enviar UNPOLs para a África.
Aguardemos os próximos acontecimentos!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sudão do Sul: DPKO aguarda resposta do Brasil

A Missão de Paz das Nações Unidas no Sudão – UNMIS – está em fase de encerramento de suas atividades em solo sudanês. Muito embora o Conselho de Segurança e o próprio Secretário Geral da ONU, Ban Ki Moon, tenham expressado a intenção das Nações Unidas em permanecer no Sudão e continuar auxiliando no processo de paz interna no país, este auxílio não foi aceito pelo governo de Khartum. O 1º Tenente Mello, da Polícia Militar do Estado de São Paulo – PMESP (foto acima), o qual tinha seu End of Mission previsto para dezembro de 2011, teve seu término de missão antecipado para o início do mês de agosto em decorrência do final da missão.
Com a independência do Sudão do Sul a ONU está em processo acelerado de extinção da UNMIS. No entanto, já criou uma missão para substituí-la, a Missão de Paz das Nações Unidas para o Sudão do Sul – UNMISS. Com isso, os recursos materiais e humanos estão sendo transferidos de uma missão para outra.
Segundo o Tenente Mello, em uma conversa que ele teve com o chefe da Administração e o Chief of Human Resources UNPOL da UNMISS, o DPKO aguardava manifestação urgente da Missão permanente do Brasil nas Nações Unidas em New York, acerca da participação brasileira na UNMISS, sendo que em caso positivo deveria ser indicado também a intenção do Brasil com relação às vagas na UNMISS. Esta resposta deveria ser dada ao DPKO até o dia 20 de julho (ontem).
O Tenente Mello informou ainda que “após conversa detalhada com o Human Resources Manager da UNMISS foi explicado que o DPKO esta esperando até no máximo dia 20 de Julho pela resposta dos países com relação as vagas e os países que tem intenção de mandar FPUs que também estão sendo solicitados na nova missão. Segundo instruções do próprio Sr. Tristan Lundin (Chief of HR UNMISS), na antiga missão o Brasil tinha a representação de 3 UNPOLs, mas tinha um total de 750 UNPOLS, com o aumento deste número para 900 UNPOLs ele espera que a participação do Brasil cresça na UNMISS mas disse que o DPKO só aguardará esta resposta até dia 20 de Julho para fechar o número de vagas para cada País...”
Aguardemos por novidades nos próximos dias, quem sabe o efetivo policial brasileiro no Sudão seja completado ou mesmo aumentado, como ocorreu na missão do Timor Leste no ano passado.