"Depois de um primeiro turno turbulento, chegou a hora do segundo turno das eleições presidenciais e parlamentares haitianas. Em um país tão assolado por vicissitudes, o pleito democrático representa muito mais do que um exercício de cidadania, mas um momento único para muitos cuja única parcela do destino sobre a qual se pode ter algum poder decisório é na escolha dos governantes. Fazer parte disso estando há pouco mais de um mês na minha primeira missão internacional é, certamente, um fato marcante na minha carreira.
Durante o período de 16 à 21 de março de 2011, estive na ilha de La Gonâve, localidade de Anse a Galets, Haiti, local em que se desenvolveu a operação sob responsabilidade do BRAMAR, cuja aplicação e dedicação de seus Fuzileiros Navais foi essencial para que as instituições democráticas se mantivessem neste Estado. Foi minha primeira ação em cooperação com a Marinha do Brasil, não me sobram dúvidas da competência e profissionalismo desses fuzileiros que há muito vêm se comprometendo com essas eleições, muito antes do pleito propriamente dito, pois mantinham guarda permanente na fábrica das cédulas eleitorais, zelando para que nenhum incidente acontecesse."
"Não posso deixar de revelar que, da mesma forma, o envolvimento deste e de vários outros UNPOL com a segurança da democracia haitiana também se antecipou às eleições, pois, aproximadamente dez dias antes do pleito, fui removido da Anti Kidnapping Unit da Comissaria de Penttion Ville, em que trabalhava desde meu primeiro Assignment, para a guarda da residência do responsável pela organização eleitoral, trabalho realizado em parceria com a Polícia Nacional do Haiti (PNH)."
Ainda que eu esteja há muito pouco tempo aqui no Haiti, posso dizer sem economia verbal que, mais do que me sentir prestigiado por ter a oportunidade de compartilhar meu conhecimento com policiais de diversas nacionalidades e, principalmente, aprender com eles, meu orgulho maior é o de pertencer a um time mais do que respeitado no mundo todo, a Polícia Brasileira. Tanto pelo trabalho realizado pelos militares brasileiros na MINUSTAH, quanto pelas notícias que rodam o mundo praticamente em tempo real, creio que muito podemos nos orgulhar do preparo fornecido nas nossas escolas de formação de Policiais Militares (sou omisso quanto a outras formações policiais pela falta de conhecimento). Penso, contudo, que esse deve ser o ponto de partida para um desenvolvimento ainda maior. Sou o primeiro representante da Polícia Militar do Paraná a integrar uma missão das Nações Unidas depois de mais de dez anos; a perspectiva do comando ao me autorizar a participar foi clara: observar, comparar, apreender e divulgar. Espero corresponder às expectativas no retorno e ter “aberto a porteira” para muitos outros paranaenses que, como muitos UNPOL ao redor do Brasil, levam a bandeira brasileira além das fronteiras tupiniquins.
Minha expectativa futura na MINUSTAH é ter a oportunidade de colaborar com minha especialidade. Há alguns anos tenho comandado o Canil Vale dos Ventos, do 1º. Batalhão de Polícia Militar – PMPR, sediado na cidade de Ponta Grossa-PR. Nessa unidade K-9 (sigla internacionalmente conhecida quando o assunto é aplicação canina), minha especial atenção é para os cães de duplo emprego, sendo condutor de um Pastor Belga Groenendael (aquele todo preto) de 4 anos (Urso), habilitado e testado em combate para detecção de narcóticos e Rádio Patrulhamento Canino (RPC), o que permite sua aplicação tanto no policiamento diário quanto em atividades de Controle de Distúrbios Civis (CDC). Atualmente com 29 (vinte e nove) anos de idade, creio poder ser útil a MINUSTAH nessa atividade, embora, como todo Policial Militar brasileiro, o patrulhamento é a base da minha formação policial.
Atenciosamente,
1º. Ten QOPM/PR Leandro de Azevedo Thereza"



Segundo o TCel Issa “torna-se importante frisar que a missão do Haiti é basicamente policial e as forças armadas atuam em conjunto conosco, devido ao nosso poder de polícia, eles só podem entrar em uma casa ou prender alguém na presença da UNPOL”.

