quinta-feira, 24 de maio de 2012

UNMISS: Tudo que você precisa saber sobre acomodações.

Uma das primeiras preocupações de um policial a serviço das Nações Unidas ao chegar em sua área de missão são as acomodações. Essa é uma pergunta que sempre me fazem: Tem alojamento? Bom, a resposta pode ser “sim” e “não”. Na maioria das vezes é “não”, mas isso não significa que você viverá melhor ou gastará menos caso receba alojamento da ONU. Tentarei explicar de forma resumida.
Não. As missões da Guiné Bissau, Haiti e Timor Leste não possuem acomodações nas bases. Todo o pessoal da ONU deve procurar local para morar. Normalmente são utilizadas casas ou hotéis, sendo que esta última opção é encontrada mais facilmente nas capitais. Já quem está no interior tem que se contentar com o que a região oferece. A escolha fica a critério do UNPOL e alguns parâmetros são estabelecidos como senso comum: Segurança, localização e preço. Se Você conseguir aliar todos, se considere uma pessoa de sorte. Nem sempre é possível. Logicamente a segurança vem em primeiro lugar.
Sim. A missão do Sudão do Sul oferece acomodações para o pessoal da ONU. Mas esta missão tem uma característica diferente. A pouca infra-estrutura do país não oferece condições de viver fora das bases da ONU, quer seja pelas condições das moradias ou principalmente pela questão de segurança. Por isso a missão moldou-se de forma a oferecer acomodações ao UN Staff. Encontramos alas residenciais em todas as bases.
Em Juba existem duas bases: a base ao lado do aeroporto, onde está localizado o alto comando da missão, e a nova base de Juba III. Esta foi recém inaugurada, localizada fora da zona urbana, para onde se transferiram a maioria das seções policiais e militares da capital. Em ambas temos alas residenciais com toda a estrutura sanitária necessária. A nova base de Juba III apresenta uma inovação: foram construídas casas de alvenaria tipo sobrado que podem abrigar 4 pessoas, ainda não foram inauguradas, mas estão prontas. Segundo informações o aluguel será em torno de 2.500 dólares. Na base do aeroporto existem aproximadamente cinco alas residenciais, sendo que quatro são de contêineres e uma de Barracas. Mesmo assim a fila de espera para um contêiner é de aproximadamente 6 meses. Ou seja, se você ficar na capital provavelmente enfrentará problemas. Na foto abaixo, um das alas residenciais da base do aeroporto.

Nas bases existentes nas 10 capitais Estaduais também encontramos alas residenciais, sendo que a fila de espera é menor ou, em alguns locais, existem contêineres disponíveis de imediato. Isso ocorre porque a maioria dos UNPOLs africanos, mais adaptados às condições do ambiente, moram fora das bases. Nas capitais também temos boas condições e estrutura sanitárias com banheiros coletivos. Na foto abaixo, parte da ala residencial da base de Bor, capital do Estado de Jonglei onde trabalho. No lado esquerdo vemos os banheiros coletivos e na direita os contêineres de moradia.

Existem contêineres tamanho standard para uma pessoa, bem como também existem contêineres um pouco maiores que abrigam duas pessoas com conforto, como os da foto acima. Todos os contêineres são equipados com cama, roupeiro, mesa, cadeiras, escrivaninha, frigobar e TV (alguns locais onde exista algum canal disponível ou sistema da TV a cabo). Se você ocupar um contêiner, a ONU desconta 21 dólares por dia das suas diárias. O que significa um aluguel de 630 dólares (mês de 30 dias) ou 651 dólares (mês de 31 dias). O valor é o mesmo se você está sozinho ou divide o contêiner com alguém. Normalmente policiais do mesmo país optam em moram juntos, pois dividem as tarefas da cozinha. Sim, aqui no Sudão do Sul você tem que preparar o seu próprio alimento. Embora existam restaurantes nas bases das capitais, fazer todas as refeições nestes locais acaba se tornando muito caro. Normalmente café e janta o pessoal faz no próprio contêiner.
Já se você for classificado em um CSB – County Support Base – que é o nome dado às bases da ONU localizadas nas cidades do interior, esteja preparado para morar em barracas dividindo o espaço com outros 4 ou 5 UNPOLs. Existem CSBs que possuem certa estrutura, principalmente os mais antigos. Eu conheço a realidade apenas de Akobo, mas sei que os outros CSBs não são muito diferentes. Em Akobo somos 10 UNPOLs dividindo 2 barracas. São 6 em uma e 4 em outra. Esta última barraca tem um número menor de UNPOLs porque também é utilizada como o nosso escritório. As barracas também são utilizadas como cozinha. Ambas possuem ar condicionado e ventilador de teto. No entanto, as condições sanitárias são precárias, pois temos banheiros coletivos, mas não temos sistema hidráulico. Ou seja, temos que tomar banho de balde e caneca, bem como usamos balde para dar descarga no banheiro (foto abaixo).

Também não temos água potável à disposição. Somos abastecidos duas vezes por semana com vôos da ONU que partem de Bor para Akobo com água tratada na Base de Bor. Bom, nem tudo são agruras nos CSBs. Devido ao fato de estarmos morando em barracas de uso coletivo, tipo alojamento (foto abaixo), a ONU não nos cobra nada por isso.

Ou seja, em dois meses de estadia em Akobo eu economizo 1.281 dólares, aproximadamente o valor de uma passagem, ida e volta, ao Brasil. Atualmente o valor da passagem está entre 1.400 a 1.700 dólares, dependendo da disponibilidade dos dias, rotas e empresas aéreas escolhidas. Ainda dentro deste tema, a ONU paga as despesas de viagem (passagens aéreas) apenas no começo e no final da missão. Todas as viagens realizadas nos períodos de folga durante a missão correm por conta do UNPOL. 
Uma última informação, para saciar a curiosidade de muitos, o valor da diária que a ONU nos paga aqui na Missão do Sudão do Sul é de 136 dólares. Sendo que no primeiro mês, tendo em vista despesas extras necessárias para o início da missão, a diária é de 188 dólares.

sábado, 12 de maio de 2012

UNMIT: Capitão Átila envia suas primeiras impressões sobre o Timor Leste

"O pais
Aqui não existe muita desigualdade social, pois aparentemente não há classes sociais muito distintas. Geograficamente o pais e lindo, montanhoso, repleto de florestas e com muitos campos de arroz irrigado, plantado manualmente pelos camponeses, maior parte da população. Existe a participação no comércio entre australianos, portugueses e alguns países orientais, especialmente com foco no petróleo do litoral e em contratos de construção de estradas, pontes e alimentação. Os australianos mantêm boas relações comerciais. Lideraram no passado a INTERFET e estão presentes com contingentes do seu exército na "International Stabilization Force", além de muitos integrantes da UNPOL. 

Cultura local 
Normalmente muitos problemas locais são solucionados com a intervenção dos chamados “chefes dos sucos” ou líderes tribais, com reuniões de conselhos tribais fora dos tribunais. Mas são pessoas humildes, respeitosas, honestas e servis. 

Nosso distrito: Baucau 
Moramos em casas locadas (geralmente dois colegas do mesmo país) ou nosso caso) em pousadas. A entrada da cidade fica no alto do platô e abaixo vemos a cidade nova, a vila com as vendinhas de telhas de zinco. Ao fundo vemos a usina de energia e no horizonte, ao leste, as montanhas. Suas florestas são preservadas e o povo vive em harmonia com a natureza no meio da selva equatorial. 

Dados Gerais
A economia luta pela recuperação, o que faz das províncias lugares toscos e com recursos escassos. Dados apontam para um território com 14.609 km quadrados, tendo como recursos naturais o ouro, petróleo, gás natural, manganês e mármore. A agricultura é, em regra, para a subsistência, importando-se muitos alimentos. Seu regime político é a república presidencialista, cuja capital é Dili. Nela vivem aproximadamente um terço da população - ou seja -, 300.000 pessoas. As demais se espalham por 13 distritos. São 98% católicos, além de muçulmanos, budistas e outras denominações. Tem a língua portuguesa como idioma oficial. Todavia, menos de 10% efetivamente fala o idioma. Aparentemente não há problemas com drogas ou crimes graves e a índole do povo é idônea. A expectativa de vida e próxima dos 56 anos, com mortalidade infantil em torno de 64 mortes a cada 1.000 nascimentos. Um dos motivos parece ser a débil resistência para doenças como dengue e malária. A fertilidade é bastante alta, atingindo 7.8 filhos por mulher, fazendo a população crescer 4.7% ao ano, algo hoje perto de 1.065.000 (estimativa). Essas mães geram filhos de uma etnia composta pela maioria austronésia (malaio-polinésia) e papua. Poucos imigrantes chineses, indonésios, se fazem notar. Sua subdivisão transparece ainda a existência de 65 subdistritos, compostos por 442 sucos (lideranças tribais regionais), com influência sobre 2.189 aldeias e, logicamente, sobre o processo eleitoral.

Capitão Átila Mesadri Pezzzeta
UNPOL - UNMIT - 2012 "

segunda-feira, 7 de maio de 2012

UNMISS: Um panorama sobre a Missão no Sudão do Sul

Na última sexta-feira, 06 de maio, de 2012, o Comando da Brigada Militar realizou um painel sobre a participação da Brigada Militar nas Missões de Paz das Nações Unidas. O evento aconteceu nas dependências da Academia de Polícia Militar, em Porto Alegre. A palestra de abertura foi proferida pelo veterano Boina Azul Coronel PMDF Nelson Werlang Garcia. Em continuidade ao evento, oficiais da Brigada Militar veteranos de missão puderam expor aos presentes as experiências adquiridas nas missões de El Salvador, Haiti, Kosovo, Guiné Bissau e Timor Leste. O painel foi abrilhantado, ainda, pela participação via skype, com som e imagem, do Capitão Ricardo Freitas da Silva, veterano do Haiti, e que agora encontra-se cedido às Nações unidas, desempenhando função junto ao Alto Comissariado dos Direitos Humanos em Genebra. Os problemas de internet aqui em Akobo - UNMISS - não permitiram minha participação ao vivo, mas enviei um texto e fotos para que o Capitão Osório pudesse dar algumas informações a respeito da Missão da ONU aqui no Sudão do Sul. O texto é o seguinte:
"Atualmente desempenho a função de United Nations Police – UNPOL - na Missão de Paz da ONU no Sudão do Sul, aonde cheguei no último dia 27 de março para uma estadia de 12 meses. Esta é minha segunda missão, pois estive no Haiti no período de junho de 2007 a junho de 2008. Esta experiência prévia está me possibilitando a comparação entre a estrutura das duas missões e a missão do UNPOL em cada país. E de fato são duas missões bem diferentes. A começar pelo fato de a UNMISS ser uma missão desarmada, ao contrário da MINUSTAH onde os UNPOLs portam o armamento que utilizam em país de origem. 
O Sudão do Sul é o mais novo país aceito na comunidade de nações. Conseguiu sua independência do Sudão em 09 de julho do ano passado, após mais de 20 anos de guerra civil. A separação foi decidida em um plebiscito onde a população escolheu, com mais de 90% dos votos, a independência. Mesmo com a independência sendo parte de um acordo de paz, a paz está longe de ser realidade na fronteira entre os dois países. O motivo é a demarcação da fronteira e a divisão dos campos de petróleo existentes na área. Uma semana antes da declaração oficial da independência do Sudão do Sul, o Sudão enviou tropas militares para a região de Abyei, rica em poços em atividade de extração, região que pelo acordo pertenceria ao sudão do Sul. Mesmo com a promessa de retirada, isso até hoje não ocorreu. Acirrando os ânimos na fronteira.
Durante a guerra civil o sul possuía uma milícia rebelde que lutou intensamente contra o domínio do norte. Após a independência esta milícia rebelde tornou-se o exército regular do Sudão do Sul. A polícia local é formada também por estes ex-rebeldes. Em 2006, após a assinatura do tratado de paz que iniciou o processo que culminou com a independência, o governo provisório do sul buscou nas fileiras da milícia rebelde voluntários para comporem o efetivo da recém criada SSPS – South Sudan Police Service. Ou seja, estes homens e mulheres anoiteceram rebeldes e amanheceram policiais, com todos os deveres e responsabilidades da função. Um sinal desta herança militar recente é que o fato de a polícia sul-sudanesa não usar revólveres, pistolas ou qualquer tipo de arma curta. Todos ostentam apenas os famosos AK-47.

Deste então a ONU vem treinando estes policiais de maneira direta, no transcorrer do serviço, no acompanhamento das atividades diárias, tentando passar o mínimo de conhecimento necessário para que estes desempenhem suas atividades com respeito as direitos humanos e com um mínimo de técnica policial. Nosso trabalho como Police Advisor, Conselheiro policial, é executar as atividades de treinamento da polícia sul - sudanesa. Este treinamento, embora padronizado pela ONU, difere de local para local, de acordo com a estrutura que encontramos, normalmente precária, e condições do efetivo policial. Essa atividade é denominada de “co-location”. 
Quanto à estrutura, a UNMISS possui um Quartel General na capital, Juba, e bases regionais nas capitais dos 10 Estados do Sudão do Sul. Cada Estado possui ainda, em média, três County Support Base – CSB. Que são bases avançadas em cidades do interior. Atualmente existem 28 CSB, mas o projeto é chegar em 42 até o início de 2013. Após o treinamento inicial (Induction Training), eu e o Capitão Jonas da PMSC, fomos designados para o CSB Akobo, cidade com aproximadamente 15 mil habitantes situada no Estado de Jonglei, na parte leste do país, na divisa com a Etiópia. Aqui em Akobo estamos a apenas 6 km da fronteira. Os desafios são grandes, a começar pelo idioma. Em todas as atividades externas precisamos do auxílio de um tradutor. Aqui em Akobo temos dois. O idioma oficial do Sudão do Sul, após a independência, é o inglês. No entanto, a população adulta fala somente o idioma de sua tribo e um pouco de árabe, com o qual todos conseguem se comunicar, resquícios do tempo em que faziam parte do Sudão do Norte e que é islâmico. O sul é católico. São mais de 30 tribos espalhadas pelo país. 
Nosso trabalho diário aqui em Akobo é acompanhar as atividades da polícia local, tanto no quartel central quanto nos postos de policiamento espalhados na região. Durante estes contatos com os policiais (foto acima) transmitimos o conhecimento através de conversas com pequenos grupos sobre diversos assuntos que englobam direitos humanos, direitos de pessoas presas, direitos de crianças e mulheres, uso da força, uso de algemas, busca pessoal, revista e prisão de suspeitos, preservação do local de crime, entre outros. Sempre seguindo o padrão de treinamento determinado pelas Nações Unidas. Não podemos realizar, por enquanto, um treinamento mais sofisticado, pois a maioria dos policiais são analfabetos, pelo menos aqui em akobo, mas a realidade do país não é muito diferente. Por isso o método da conversa se mostra o mais eficaz.
Com relação à estrutura da nossa base, ela é totalmente cercada, com guaritas nas extremidades, com guarda 24 hs executada por uma Companhia do Exército indiano. O efetivo UNPOL está alojado em duas barracas, com estrutura de ar condicionado e ventiladores de teto, sem os quais ficaria impossível permanecer no interior durante o dia, pois a temperatura ultrapassa os 45 graus facilmente. Recebemos semanalmente dois vôos de abastecimento, nos quais nos enviam água potável da capital do Estado. A água utilizada para banho, lavar roupas e lavar a louça é a mesma utilizada pela população local. E temos que buscá-la duas vezes ao dia em uma das bicas públicas existentes na cidade. Todo UNPOL designado para um CSB é orientado a trazer seus gêneros alimentícios que o possibilitem passar no mínimo um mês, sem a necessidade de compras. Nas bases existentes nas capitais existem restaurantes, mas nos CSB temos que preparar nossa própria alimentação. Outra dificuldade é que nossa energia elétrica é fornecida por geradores, os quais são desligados duas vezes ao dia (09:00 às 12:00 e das 16:00 às 19: hs) para economia de combustível. Temos banheiros, mas não temos sistema de água encanada. Se usar o banheiro tem que dar a descarga com um balde de água. Banho só de caneca. Mas isso faz parte da missão, já estamos plenamente acostumados.
Somos 09 UNPOLs aqui em Akobo. Dois brasileiros, dois Bósnios, dois de Uganda, dois das Filipinas e um da Turquia. O contato com estes policiais nos proporciona um conhecimento aprofundado de cada sistema policial nos diferentes países, como cada instituição policial trata determinado assunto, segundo sua cultura e lei nacional.
Tenho abastecido o facebook (facebook.com/cap.marco) com mais freqüência que o blog, pois é mais fácil para mim, devido aos problemas de conexão de internet. A ONU não autoriza o uso de seus computadores para fins particulares, sendo que sites como o MSN e Facebook estão bloqueados. Utilizamos aqui modens 3G que cada um teve que comprar na capital Juba. A velocidade de conexão gira em torno de 15 kbps, ou seja, para carregar uma foto de 250 kb, levo em torno de 5 minutos.
Boa tarde a todos!
Capitão Marco Morais – UNPOL
UNMISS - 2012"

domingo, 22 de abril de 2012

Timor Leste: Capitão Átila envia relato da Missão


“Missão de paz no Timor Leste Nossa missão de paz se chama UNMIT - Missão Integrada das Nações Unidas no Timor Leste e trabalhamos na UNPOL, a Policia das Nações Unidas. Tivemos a satisfação de realizar a mesma seleção junto com o Capitão Marco Antônio dos Santos Moraes, idealizador desta brilhante idéia, que vem divulgando com muita competência o trabalho dos oficiais brasileiros junto a missões de paz em diversos países. Fomos chamados juntamente com o Capitão Laudemir da Rosa Gomes, que por problemas burocráticos, não conseguiu completar a tempo a extensa documentação que se nos fora exigida e aguarda nova autorização para viagem. Viajamos com o Tenente Adriano Marcel, da PMCE, no dia 01 de março, chegando ao Timor Leste no dia 03.

Avançamos exatamente 12 horas em relação ao Brasil. Saímos Porto Alegre, passando por Guarulhos/SP, embarcando para Johanesburgo, África do Sul, durante mais nove horas. A velocidade de cruzeiro de um vôo comercial normalmente se mantém em torno de 930 km/h a uma altitude de 39.000 pés. A temperatura externa chegou a -45 graus Celsius. O primeiro vôo internacional (Boing 777) saiu de Guarulhos para percorrer 7.439 km ate Johanesburgo em 9 horas. Chegando na África, tivemos poucas horas para um novo vôo, com destino a Singapura, na Malásia. Voamos mais onze horas sem escalas. De lá fomos para Singapura (Airbus), voando durante 10 horas 5.300 milhas - ou perto de 8.500 km. A visão do alto é impressionante. Um superporto aguarda quase 200 embarcações atracarem, com verdadeiro congestionamento marítimo. Além dos enormes prédios e instalações. Um aeroporto gigante, moderno e incrivelmente limpo e organizado. Finalmente, com duas horas para pegar visto e novo embarque no próximo vôo, partimos para Dili, com um Airbus A320. Voamos durante mais 4 horas e 3.500 km, totalizando aproximadamente dois dias e meio de vôos quase diretos. Viajamos quase 19.500 km. Chegamos no Aeroporto de Comoro no dia 03, aproximadamente as cinco da tarde. Fomos recebidos pelos oficiais da Missão, liderados pelo nosso Contingent Commander, Sr. Coronel Edilson Rodrigues, da PMDF, acompanhado do Tenente-coronel Valdemir dos Santos e de outros oficiais que atuam em Dili, todos muito solícitos e companheiros.

Vencida a fase da documentação na chegada, do treinamento inicial de duas semanas, dos testes de idioma, manejo de arma de fogo e condução de viatura 4x4, fomos designados para nossos novos locais de trabalho. O Tenente Marcel optou pelo distrito de Covalima, cuja sede eh Suai, no oeste e fui designado para Baucau, cuja sede tem o mesmo nome. 
Trabalhamos em uma estrutura muito semelhante a de um batalhão, com o comando e seu estafe e as equipes de monitoramento da PNTL - Policia Nacional do Timor Leste, que se encontra em fase final de acompanhamento. Encontramos na Missão UNPOLS (policiais) de 41 países e com diversas culturas, que uniram esforços prestar apoio a este país belo e montanhoso, emprestando experiência e auxilio no treinamento e autonomia das forcas de segurança do Timor Leste. Tudo é conversado em inglês com os colegas de patrulha, nosso primeiro trabalho na missão para todos, são estrangeiros. Registramos que foi realmente providencial o elevado nível de exigência feito pela 3a seção da IGPM/COTER, pois no começo a adaptação com o estilo/sotaque britânico foi bastante difícil. Para nos é uma satisfação poder representar nossa Pátria, nossos Estados e nossas Corporações Policiais Militares, cônscios de nossas muitas responsabilidades, com elevada fé na Missão, pelo que ela representa para o povo desta bela nação.”

quarta-feira, 18 de abril de 2012

UNMISS: Chegada em Akobo e estrutura da base

Na última quinta-feira iniciamos, eu e o Capitão Jonas – PMSC , nossa viagem de Juba rumo a Akobo, nosso posto de trabalho pelos próximos 3 meses aqui no Sudão do Sul. Viajamos em um helicóptero russo de transporte de pessoal que é o transporte padrão da ONU aqui na United Nations Mission in south Sudan – UNMISS. Existem vôos de asa fixa somente entre as maiores cidades, como Juba , Wau e Malakal. Na foto abaixo está o Capitão Jonas no momento do embarque em Juba.


Durante este deslocamento tivemos que fazer uma escala de um dia em Bor, capital do Estado de Jonglei, onde está localizada a cidade de Akobo, para fins de procedimentos burocráticos e os últimos briefings sobre a segurança na região da fronteira com a Etiópia. A base da ONU em Bor está ainda em construção, mas oferece todo o conforto necessário para o bom desempenho da missão. Na área interna da base encontramos um restaurante e uma cafeteria, bem como uma ala de contêiners de moradia. Existem também alguns conteiners de trânsito, como o que ficamos hospedados. Muito embora seja coletivo, tem ar condicionado e boa proteção contra os mosquitos.


No dia seguinte, sexta-feira 13 de abril (data sugestiva para chegar a Akobo, como diria Zagallo: foi nosso dia de sorte!). A primeira visão de Akobo foi realmente impressionante, por todos os lugares em que andamos vimos casas de alvenaria e também as casa de barro e palha chamadas de Tukul. No entanto, aqui em Akobo, toda a cidade é feita de Tukul. Cerca de 5.000 pessoas vivendo em Tukuls, muitos cozinhando e dormindo ao relento dependendo o número de membros da família, pois o espaço interno dos Tukuls não é muito grande. Foto abaixo ( a qualidade da foto não é boa, pois tive que tirar uma foto do vídeo que fiz da chegada, mas da para ter uma idéia do que estou falando).
Chegamos enfim ao County Base Support – CSB – como são denominadas as bases da ONU em municípios pequenos do interior como akobo. A base não é muito grande, fica situada na principal rua da cidade. Tem uma área de no máximo 3.600 metros quadrados (60 X 60 m) que abriga 07 Barracas. Destas, 02 são para UNPOLs; 01 Barraca para alguns engenheiros civis da ONU os quais estão com a responsabilidade de construir uma nova base aqui em Akobo, mais ampla e com conteiners de moradia; e 04 Barracas para militares do Exército da Índia, os quais são responsáveis pela nossa segurança. Dentro da base temos também 03 geradores que fornecem a energia elétrica necessária para cozinharmos, ligarmos o ar condicionado da barraca e ventiladores, bem como utilizarmos os nossos laptops. Por motivo de economia de combustível, os geradores são desligados das 09hs ao meio-dia, e das 15hs às 18:30 hs. Temos estrutura sanitária com 03 banheiros com vaso e chuveiro. No entanto, não possuímos caixa d`água em cima impossibilitando o uso da descarga e dos chuveiros. A descarga é um balde com água e o banho também é de “caneca”. O fator positivo disto tudo é que se morássemos em conteiners a ONU nos cobraria um aluguel de 630 dólares mensais. Já das Barracas não é cobrado nenhum valor.
Fomos muito bem recebidos pela equipe de UNPOLs que já estava em Akobo: 02 policiais da Bósnia; 02 de Uganda; 02 das Filipinas; 01 da Turquia; 01 de Gâmbia e 01 da Zâmbia. Bem como pelos militares da companhia do Exército indiano.

Nossa internet aqui é particular, cada um teve que comprar um modem de uma companhia telefônica do Sudão, pois a internet disponibilizada pela ONU somente acessa a intranet da missão. Por isso nossa velocidade de conexão de internet é muito baixa, impossibilitando uma atualização mais constante das nossas atividades aqui em Akobo.
nas próximas postagens começarei a mostrar um pouco do trabalho UNPOL aqui no CSB Akobo, bem como a características e peculiaridades do povo sul-sudanês.

sábado, 7 de abril de 2012

UNMISS: Concluímos a segunda semana de treinamento e recebemos o Deployment

Chegamos em Juba, capital do Sudão do Sul, na última segunda-feira e iniciamos os procedimentos burocráticos de check-in na missão. Aqui nós realizamos a segunda parte do Induction Training, com instruções mais específicas sobre a missão no terreno. As aulas foram realizadas juntamente com militares e civis que estão chegando na missão. O grupo era dividido sempre que os assuntos eram atinentes especificamente a cada grupo.

Nesta semana também realizamos o teste de direção, o qual foi bem mais fácil do que se desenhava a princípio. Primeiramente porque, ao contrário do que nos informaram em Entebbe, a mão de direção aqui não é a mão inglesa, muito embora se encontre dezenas de veículos nas ruas com o volante no lado direito. Tivemos que realizar somente uma manobra de garagem e controle da viatura em uma pequeno aclive (parada e arrancada) usando apenas o acelerador e a embreagem (procedimento errado para os padrões brasileiros) e, para finalizar, um deslocamento em uma rodovia próxima à base da ONU. Todos os brasileiros foram aprovados. Realizamos o teste junto com um contingente de policiais da Malásia, os quais dirigem em mão inglesa em seu país, sendo que dois deles foram reprovados. Eles terão mais duas oportunidades para fazer o teste. Caso não sejam aprovados, segundo palestra que tivemos com a Police Commissioner, poderá ser analisada a repatriação.


Não seremos submetidos ao teste de idioma, não nos disseram o por quê, e logicamente também não perguntamos. Como disse o TCel Eliano - PMAL, nosso Comandante de Contingente, na verdade estamos sendo testados no idioma desde a nossa chegada a Entebbe na semana passada. Pois acostumar o ouvido ao sotaque do inglês britânico falado pelos países africanos e asiáticos tem sido nossa missão diariamente aqui.
Nesta primeira semana no Sudão do Sul recebemos o suporte vital dos militares brasileiros sediados em Juba. São eles o TCel Murga, o Cap Daniel, o Cap Mattos (ambos do Exército brasileiro) e o Cap Vianna (da FAB). Eles gentilmente se ofereceram para nos receber em seus próprios conteiners, pois não havia vagas disponíveis nos alojamentos destinados para o pessoal em trânsito na base de Juba. Teríamos que deslocar para hotéis fora da base com diárias de, no mínimo, 50 dólares. Na foto abaixo podemos ver o conteiner onde estou alojado com o Cap Vianna. Fica próximo aos conteiners destinados aos escritórios e salas de aula e distante uns 10 a 15 minutos de caminhada até o outro complexo de conteiners onde está o restante do contingente policial. O conteiner é projetado para alojar uma pessoa, com ar condicionado, cama, roupeiro, mesa, estante e cadeira. Morar em conteiner é opcional, mas caso o UNPOL (militar e civil também) opte em residir dentro da base, a ONU desconta 21 dólares por dia das diárias, ou seja, o aluguel do conteiner sai por 630 dólares.
Ontem recebi minha designação (deployment). Eu e o Capitão Jonas - PMSC - iremos para Akobo, cidade de um Estado localizado no leste do país, próximo à fronteira com a Etiópia. Hoje assinamos o nosso MOP (Movement of Personnel) que é o requerimento de viagem, sendo que nosso voo está previsto para a próxima quinta-feira. Até lá ficaremos aqui na sede, em condições e uniformizados, das 08 hs às 16 hs, mas sem muito o que fazer.

sábado, 31 de março de 2012

UNMISS: Concluído o Induction Training UNPOLs brasileiros seguem para Juba

Estamos encerrando nossa semana de treinamento (Induction Training) aqui em Entebbe – Uganda. Amanhã à tarde voaremos para Juba, capital do Sudão do Sul, onde completaremos os procedimentos necessários para iniciarmos as atividades de UNPOL propriamente ditas. Dentre estes procedimentos estão a prova de inglês e a de direção (agravante: aqui em Entebbe e no Sudão do Sul é utilizada a “mão inglesa”). Reprovação na Prova de Inglês implica em repatriação ao país de origem, ou seja, a missão termina sem ter realmente começado. Bom, mas isso é assunto para a semana que vem.
Logo na nossa chegada aqui em Uganda já tivemos um pequeno problema. Chegamos a Entebbe ao final do dia da última terça-feira, dia 27 de março, e não havia ninguém da ONU nos esperando para as primeiras orientações. Tivemos que providenciar o transporte até o hotel e do hotel até a base da ONU na manhã do dia seguinte. Ao chegarmos à base, todos ficaram surpresos com a nossa presença, pois sabiam que nossa chegada estava próxima, mas não receberam qualquer informação oficial do Brasil a respeito de nossa chegada e horários de vôo. Caso tivessem recebido, estariam nos esperando no aeroporto e teriam nos buscado no hotel de manhã, procedimento que passou a se adotado nos dias seguintes.
Durante esta semana foram dois dias de aula, nos quais tivemos várias palestras (foto seguinte), incluindo assuntos como: Conduta e disciplina; mandato e estrutura da missão; proteção de civis; papel dos militares na UNMISS; papel dos policiais na UNMISS; gerenciamento de stress; comunicações; suporte médico no Sudão do Sul; respeito às diferentes culturas; HIV/AIDS; finanças e sistema de transporte da ONU. As aulas foram conjuntas para policiais, militares e civis.
O terceiro dia foi destinado às atividades burocráticas do check-in da missão, tais como: Confecção da Identidade Funcional (na foto abaixo o Capitão Jonas – PMSC – está recebendo o seu Id Card); preenchimento de documentos necessários para o recebimento das diárias antecipadas; preenchimento de currículo vitae (novamente, pois já tínhamos feito isso no Brasil); e despacho de bagagem para Juba, pois no vôo que nos levará ao Sudão do Sul amanhã somente poderemos levar conosco 20 kg de bagagem, visto a capacidade limitada de carga do avião da ONU.Em Juba ficaremos alojados, a princípio, em Contêineres na base da ONU, os quais estão destinados aos militares e policiais que estão em trânsito pela capital sul-sudanesa aguardando a designação para o seu posto de trabalho. Os postos de trabalho para policiais estão distribuídos entre a capital, Juba, e as capitais dos 10 Estados do Sudão do Sul.
Tendo em vista a dificuldade de comunicação por internet no começo da missão, tentarei colocar notícias no blog a cada 15 dias.

quinta-feira, 1 de março de 2012

UNMIT: Dois Oficiais embarcaram hoje para a Missão no Timor Leste

O contingente policial brasileiro na Missão de Paz da ONU no Timor Leste - UNMIT - irá receber o reforço de dois novos UNPOLs. O Capitão Átila Mezadri Pezzeta, da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul - BMRS, e o 1º Tenente Adriano Bezerra, da Polícia Militar do Estado do Ceará - PMCE, embarcaram no aeroporto de Guarulhos às 17:30 hs de hoje com destino a Dili, capital timorense, onde deverão chegar às 14:20 hs (horário local) do próximo sábado. Serão aproximadamente dois dias de viagem com escalas previstas em Johannesburgo, na África do Sul, e Singapura.
Outros três Oficiais também estão em processo de embarque para a UNMIT, sendo que o Capitão Laudemir da Rosa Gomes - BMRS - está com passagem marcada para o próximo dia 06 de março (terça-feira). Já os Oficiais da Polícia Militar do Estado do Mato Grosso - PMMT, Capitão Frederico Correa Lima Lopes e o 1º Tenente Ricardo de Almeida Mendes, ainda aguardam a Travel Authorization.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Super Bowl: Capitães da Brigada Militar estão nos EUA para acompanhar o evento

O Comando da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul está dando continuidade às atividades de preparação para a Copa do Mundo de 2014, as quais iniciaram com o envio de uma delegação de Oficiais para a companhar as atividades na área de segurança pública durante a realização da Copa do Mundo na África do Sul em 2010.
Entre as várias de linhas de ação que estão em pleno desenvolvimento está a participação de Oficiais em eventos esportivos de grande porte no Brasil e no Exterior, a fim de acompanhar as atividades dos diversos órgãos de segurança envolvidos nestes aventos.
Em virtude disso, no último dia 22 de janeiro o Capitão ROGÉRIO ARAÚJO DE SOUZA, do 1º Batalhão de Operações Especiais, e o Capitão MOGGAR FREDERES DE MATTOS, do Estado Maior da Brigada Militar- QG, embarcaram para Indianápolis, Indiana, nos Estados Unidos (EUA), a fim de acompanhar o planejamento e a técnica empregada em todos os preparativos para o evento de maior importância no esporte norte-americano, o Super Bowl, a grande final do campeonato de futebol americano - NFL, que este ano está na sua 46ª edição.
Em parceria com a ONG Companheiros das Américas (Comitê Rio Grande do Sul/ Indiana) e do Comitê de Segurança e Defesa Pública responsável pelo Super Bowl XLVI, o Comando da Brigada Militar chancelou a ida dos Oficiais com o objetivo de observar a preparação de segurança para o evento e trazer experiências internacionais para serem aplicadas durante a organização da Copa do Mundo FIFA 2014, a qual terá como uma das sedes a cidade de Porto Alegre.
Os dois Oficiais foram escolhidos pela sua fluência no idioma inglês, bem como por pertencerem a dois setores fundamentais da corporação no que tange a preparação para a Copa: EMBM e 1º BOE. No entanto, os dois capitães possuem outra característica em comum: ambos são veteranos Boinas Azuis. O Capitão Araújo, meu colega de turma de APM, desempenhou as funções de UNPOL nas Missões de Kosovo (2006) e Timor Leste (2011), conforme a foto abaixo, na qual o Oficial aparece dando instrução de tiro para policiais timorenses.Já o Capitão Frederes esteve na Missão do Haiti (2008) onde desempenhou a função de UNPOL na Academia da Polícia Nacional do Haiti - PNH - conforme a foto abaixo onde ele aparece junto com alunos do Curso de Formação de Policiais da PNH.
Em Indinápolis os dois Oficiais seguem uma agenda diária de reuniões e visitas às instalações dos diversos órgãos envolvidos na denominada Operation SuperBowl, como o Centro de Operações Conjuntas do Super Bowl, onde foram recebidos pelo Sub Chefe da Divisão de Segurança e Defesa Interna da Polícia Metropolitana de Indianápolis, Sr. Michael G. Bates, e pelo Agente Especial do FBI (Federal Bureau of Investigation), Sr. Charles B. Rownd, os quais transmitiram aos dois Oficiais gaúchos informações a respeito do funcionamento do referido centro, bem como fizeram um relato de como irá se desenvolver a segurança do Super Bowl (Foto Abaixo).
Também visitaram o Quartel General da Guarda Nacional de Indiana, onde puderam verificar como esta sendo a preparação desta força para atuação no Super Bowl XLVI, bem como entender o seu real emprego e em quais situações tal efetivo pode ser acionado.
Uma das visitas mais interessantes foi a realizada no Complexo de Treinamento Urbano de Muscatatuck (http://www.mutc.in.ng.mil/), localizado numa área de 1.000 hectares, cujo principal objetivo é o de propiciar um treinamento da maneira mais realista possível. Para tanto, o complexo consegue recriar diversos cenários nacionais e estrangeiros e atende inúmeras organizações civis e militares. Como podemos ver nas fotos abaixo.
As atividades do Capitão Araújo e do Capitão Frederes podem ser acompanhadas diariamente através do twitter e de um Blog criado especialmente para registrar a viagem. O blog está hospedado na página da Intranet da Brigada Militar, mas pode ser acessado diretamente através do seguinte endereço eletrônico: brigadanosuperbowl.blogspot.com

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

ONU: Brigada Militar divulga calendário de Provas do COTER para 2012

O Comando da Brigada Militar enviou documento aos Comando Regionais no último dia 23 de janeiro informando o calendário de provas do COTER para 2012. Os Oficiais interessados devem enviar sua inscrição até o dia 17 de fevereiro ao correio eletrônico da PM3.

Este ano a Diretriz de Seleção de Policiais Militares Voluntários para Missão de Paz apresenta algumas novidades em relação aos anos anteriores. A principal mudança é que o documento deste ano deixa bem claro que o concurso não se resume apenas às provas de Idioma (Inglês/Francês), Condução de Viatura 4X4 e tiro. Estas provas fazem parte da 1ª Fase do processo seletivo, o qual é constituído de 3 fases distintas. Isso já estava ocorrendo na prática desde 2010, no entanto não constavam das regras escritas do certame.

As três fases são as seguintes:

1ª Fase: Prova escrita e oral de Inglês, Condução de Vtr 4X4 e Tiro;

2ª Fase: Os aprovados na 1ª Fase serão matriculados em um curso à distância - EAD - no Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil - CCOPAB. No início do curso os Oficiais receberão o material para estudo com cerca de 500 páginas (em Inglês) e devem realizar uma prova ao final de 30 dias. A média para aprovação é 7,0.

3ª Fase: Curso presencial no CCOPAB, no Rio de Janeiro, com duração de 4 semanas. Normalmente são realizados 02 cursos durante o ano, o primeiro no mês de abril e o segundo no mês de outubro.

Concluído o concurso, os aprovados estarão aptos a receber a designação para uma das Missões de Paz da ONU para as quais o Brasil envia policiais (Guiné Bissau, Haiti, Sudão do Sul e Timor Leste). A prioridade de indicação, segundo a Diretriz, é para os policiais que frequentarem o curso presencial, ou seja, concluírem com aprovação as 03 fases do concurso. Esgotada esta possibilidade, serão indicados os que realizaram o curso à distância. E, por fim, os Oficiais aprovados na 1ª fase.

Outra inovação deste ano é que a Diretriz estabelece que o Oficial que concluir uma missão de paz com duração mínima de 6 (seis) meses, permanecerá habilitado por mais 18 (dezoito) meses, a contar da data de término da missão.

Embora no último ano a ONU tenha estabelecido uma nova missão de paz, a Missão de Paz no Sudão do Sul - UNMISS - e a Diretriz de 2011 tenha estabelecido que no caso de surgimento de uma nova missão a participação de praças das Polícias Militares seria avaliada, o concurso deste ano continua a ser destinado somente a Oficiais, em razão, segundo a Diretriz 2012, das atividades previstas para as citadas operações de paz e dos requisitos exigidos e desejáveis pela ONU.

As provas serão realizadas conforme o seguinte calendário:


- 23 a 27 de abril: Porto Alegre e Recife. (A prova de idioma será somente o Inglês)


- 6 a 10 de Agosto: Brasília e Manaus. (A prova de Idioma será Inglês e francês) O candidato deve optar por um dos idiomas ou, caso queira, poderá se submeter aos dois testes.