domingo, 29 de maio de 2011

Sudão: Governo dá prazo para ONU sair do país

O governo do Sudanês notificou o comando da Missão de Paz da ONU no Sudão - UNMIS - de que a ONU deverá deixar o Sudão no próximo dia 09 de julho, data em que deverá expirar a extensão do mandato concedido pelo Conselho de Segurança no dia 27 de abril.

O porta-voz da UNMIS, Kuider Zerruk, confirmou em entrevista à AFP que o comando da missão foi informado da intensão do governo de Khartum: "Fomos informados de que uma carta do governo, na qual confirma o final do mandato do dia 9 de julho, vai a ser enviada ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon"."Ainda não recebemos uma cópia dessa carta".
O anúncio é feito em um momento de tensão entre norte e sul do país, após intensos combates em Abyei o exército do norte assumiu o controle da disputada região no último dia 21 de maio.

Fonte: Site AFP

UNMIT: Xanana manda ONU oferecer seus serviços no Iraque ou Afeganistão

O Primeiro Ministro Timorense, Xanana Gusmão, reagiu de forma enérgica à divulgação de documento interno da Missão de Paz da ONU no Timor Leste - UNMIT - no qual é citado com um obstáculo ao regime constitucional timorense. Em discurso proferido no último dia 19 de maio Xanana Gusmão utilizou as seguintes palavras ao se referir aos funcionários da ONU em Dili:

"A minha proposta é esta: UNMIT - Missão das Nações Unidas em Timor-Leste - e especialistas em Timor, ofereçam os vossos serviços para melhorar o Iraque, Afeganistão, Paquistão, e apoiem a democracia no Iémen, Síria ou Líbia".

O Primeiro Ministro também enviou uma mensagem aos funcionários timorenses da ONU, dizendo que "não devem rastejar pelo dinheiro de outros". "Porque isso é uma doença, a que chamamos colonialismo mental", frisou.

Em nota à imprensa o comando da UNMIT declarou que o documento interno tornando público não reflete o pensamento oficial da ONU, bem como o comando da missão tem canais próprios de comunicação com o governo local para tratar assuntos desta natureza.

Leia a notícia na íntegra no site do SICNOTÍCIAS.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

MINUSTAH: Ten Azevedo envia relato sobre o período eleitoral

O Tenente Leandro de Azevedo Thereza, da Polícia Militar do Estado do Paraná - PMPR - está a pouco mais de três meses na Missão de Paz da ONU no Haiti - MINUSTAH - e já teve a oportunidade de participar de um momento histórico para o povo daquele país caribenho. O Tenente Azevedo trabalhou intensamente durante o segundo turno das eleições que apontaram o novo presidente Haitiano. O Oficial paranaense nos enviou algumas fotos e um breve relato de suas atividades desenvolvidas no transcorrer do período eleitoral.
"Depois de um primeiro turno turbulento, chegou a hora do segundo turno das eleições presidenciais e parlamentares haitianas. Em um país tão assolado por vicissitudes, o pleito democrático representa muito mais do que um exercício de cidadania, mas um momento único para muitos cuja única parcela do destino sobre a qual se pode ter algum poder decisório é na escolha dos governantes. Fazer parte disso estando há pouco mais de um mês na minha primeira missão internacional é, certamente, um fato marcante na minha carreira.
Durante o período de 16 à 21 de março de 2011, estive na ilha de La Gonâve, localidade de Anse a Galets, Haiti, local em que se desenvolveu a operação sob responsabilidade do BRAMAR, cuja aplicação e dedicação de seus Fuzileiros Navais foi essencial para que as instituições democráticas se mantivessem neste Estado. Foi minha primeira ação em cooperação com a Marinha do Brasil, não me sobram dúvidas da competência e profissionalismo desses fuzileiros que há muito vêm se comprometendo com essas eleições, muito antes do pleito propriamente dito, pois mantinham guarda permanente na fábrica das cédulas eleitorais, zelando para que nenhum incidente acontecesse
."

Nas fotos abaixo podemos ver alguns destes momentos vivenciados pelo Tenente Azevedo na Ilha La Gonâve. Na primeira foto o Tenente Azevedo aparece junto a um UNPOL do Romênia e UNPOLs da FPU (Formed Police Unit) da Índia.

Nas fotos seguintes podemos ver o Tenente Azevedo com Fuzileiros Navais brasileiros, bem como om UNPOLs da França e do Nepal. Eo relato continua.
"Não posso deixar de revelar que, da mesma forma, o envolvimento deste e de vários outros UNPOL com a segurança da democracia haitiana também se antecipou às eleições, pois, aproximadamente dez dias antes do pleito, fui removido da Anti Kidnapping Unit da Comissaria de Penttion Ville, em que trabalhava desde meu primeiro Assignment, para a guarda da residência do responsável pela organização eleitoral, trabalho realizado em parceria com a Polícia Nacional do Haiti (PNH)."

Na foto abaixo o Tenente Azevedo aparece ao lado de crianças haitinas em frente à residência do Responsável pela organização do pleito. "Como é de conhecimento dos leitores, tenho sérias limitações quanto ao pronunciamento acerca dos detalhes das eleições no Haiti. Limito-me a dizer que muito ainda há que ser feito pelo Haiti, inclusive no que diz respeito ao funcionamento do sistema democrático. Não sou expert nesse assunto, mas após algumas eleições brasileiras que acompanhei nesses 11 (onze) anos na Polícia Militar do Paraná, creio ter alguma referência sobre esse quesito. Se no Brasil, local em que a organização eleitoral é exemplo para o mundo todo, a democracia e a representatividade dos representantes é algo utópico, o que dizer sobre uma sociedade em constante reconstrução?
Ainda que eu esteja há muito pouco tempo aqui no Haiti, posso dizer sem economia verbal que, mais do que me sentir prestigiado por ter a oportunidade de compartilhar meu conhecimento com policiais de diversas nacionalidades e, principalmente, aprender com eles, meu orgulho maior é o de pertencer a um time mais do que respeitado no mundo todo, a Polícia Brasileira. Tanto pelo trabalho realizado pelos militares brasileiros na MINUSTAH, quanto pelas notícias que rodam o mundo praticamente em tempo real, creio que muito podemos nos orgulhar do preparo fornecido nas nossas escolas de formação de Policiais Militares (sou omisso quanto a outras formações policiais pela falta de conhecimento). Penso, contudo, que esse deve ser o ponto de partida para um desenvolvimento ainda maior. Sou o primeiro representante da Polícia Militar do Paraná a integrar uma missão das Nações Unidas depois de mais de dez anos; a perspectiva do comando ao me autorizar a participar foi clara: observar, comparar, apreender e divulgar. Espero corresponder às expectativas no retorno e ter “aberto a porteira” para muitos outros paranaenses que, como muitos UNPOL ao redor do Brasil, levam a bandeira brasileira além das fronteiras tupiniquins.
Minha expectativa futura na MINUSTAH é ter a oportunidade de colaborar com minha especialidade. Há alguns anos tenho comandado o Canil Vale dos Ventos, do 1º. Batalhão de Polícia Militar – PMPR, sediado na cidade de Ponta Grossa-PR. Nessa unidade K-9 (sigla internacionalmente conhecida quando o assunto é aplicação canina), minha especial atenção é para os cães de duplo emprego, sendo condutor de um Pastor Belga Groenendael (aquele todo preto) de 4 anos (Urso), habilitado e testado em combate para detecção de narcóticos e Rádio Patrulhamento Canino (RPC), o que permite sua aplicação tanto no policiamento diário quanto em atividades de Controle de Distúrbios Civis (CDC). Atualmente com 29 (vinte e nove) anos de idade, creio poder ser útil a MINUSTAH nessa atividade, embora, como todo Policial Militar brasileiro, o patrulhamento é a base da minha formação policial.
Atenciosamente,
1º. Ten QOPM/PR Leandro de Azevedo Thereza"


Abaixo podemos ver o momento da despedida dos UNPOLs e fuzileiros navais da Ilha de La Gonâve após o término com êxito da missão.

terça-feira, 17 de maio de 2011

MINUSTAH: Tenente Pujol relata seu trabalho no 2º turno das eleições

Após completar 4 meses de trabalho na Missão da ONU no Haiti - MINUSTAH - o Tenente Leonardo Moreira Pujol, da Polícia Militar do Estado da Bahia - PMBA - nos enviou um relato sobre seu trabalho durante o desenrolar do 2º turno das eleições presidenciais haitianas.


"O Durante o segundo turno do Processo Eleitoral Haitiano, dentro da área de atuação da Comissaria de Polícia de Pétionville, onde eu e o Ten PMPR Azevedo estamos lotados, participamos de diversas Rádio-Patrulhas desenvolvendo a atividade de Police Monitor juntamente com UNPOLs de outras nacionalidades em conjunto com a PNH; durante os três turnos de serviço: 06hrs-14hrs, 14hrs-22hrs e 22hrs-06hrs, a fim de aumentar a sensação de segurança da comunidade local.
Na semana anterior do dia da votação, dia 20 de março (domingo), fomos destacados para reforçar a segurança da residência do Chefe do Comitê Eleitoral Provisório, que fica localizada nas proximidades da Delmas 83.
No dia da votação, comecei minhas atividades bem cedo, por volta das 04hrs da manhã, participando do briefing final na Comissaria, localizada na Place Saint-Pierre em PétionVille, juntamente com cerca de 40 UNPOLs que trabalham nesta estação policial. De lá cada equipe se deslocou para o seu lugar de atuação.
Trabalhei juntamente com outro colega do Canadá e outros 04 policiais haitianos, em uma grande Zona Eleitoral (haviam 28 Seções de votação), que fica em uma Escola Haitiana: Ecole Nationale – Republique Guatemala. Um dos fatores complicadores foi o fato de que dentro desta escola, também funciona um I.D.P Camp - Internally Displaced Person Camp.
A votação se iniciou com cerca de uma hora e meia de atraso, por volta das 07:30hrs, a arrumação das mesas e urnas já havia iniciado desde às 05hrs, horário em que chegamos no local que era iluminado à luz de velas. O esforço dos haitianos para que tudo ocorresse da maneira prevista foi grande, muitas eram as pessoas que estavam envolvidas para a preparação do local. Como UNPOLs estávamos lá para garantir a licitude do processo eleitoral, atuando como observadores e auxiliando os colegas da PNH no que fosse preciso.


A votação estava prevista para encerrar às 16hrs, porém perto do horário estabelecido recebemos ordens para fechar os portões uma hora a mais, terminando assim às 17hrs.
Durante todo o dia, o movimento de haitianos que vinham exercer seu direito fundamental, foi intenso. Quando o portões foram fechados, começou um processo de contagem de votos das urnas nas quais partidários dos dois candidatos à presidente acompanhavam e faziam as suas anotações de perto. Outra peculiaridade das eleições haitianas é a de que o vice-presidente, não é um candidato indicado pelo partido do presidente, concorrem às eleições também. Essa contagem terminou, por volta das 21hrs. Com as cédulas de votação em pacotes lacrados, chegava a hora mais tensa, de escoltar os milhares de votos até ao Quartel General das Eleições, onde após longa fila foram entregues em mãos aos responsáveis do Comitê Eleitoral Provisório, por volta das 02hrs da manhã do dia 21 de março.
Estava cumprida a minha missão...
Agradeço a Deus pela oportunidade de participar de alguma forma deste novo episódio na história Haitiana, esperando que realmente a vontade do povo seja respeitada e que o novo presidente honre o seu compromisso com sua nação.
***Resultado dia 05 de abril de 2011 – 67% novo presidente haitiano Michel Martelly. (Primeiro trabalho na Joint Operations – Patrulha com militares do Brabatt 2: Cite Soleil, Porto Marítimo e Cozinha do Inferno)."


segunda-feira, 9 de maio de 2011

MINUSTAH: TCel Issa completa duas semanas de missão



As Missões de Paz da ONU são dinâmicas, muito embora possuam uma estrutura organizacional básica que sirva de padrão a todas, é a necessidade encontrada no terreno que determina a criação de uma unidade policial. Um exemplo disso é a IDP Camps Unit (Internally Displaced Personal). Ou seja, a unidade policial encarregada de garantir a ordem e a segurança nos campos de desabrigados surgidos após o terremoto de janeiro de 2010.
Pois é nessa nova unidade policial da MINUSTAH que está trabalhando há pouco mais de 10 dias o Tenente Coronel Francisco Issa, da Polícia Militar do Estado da Bahia – PMBA. Segundo o TCel Issa, a IDP Camps Unit é composta por 21 UNPOLs oriundos de países como o Nepal, o Sri Lanka, o Canadá, os Estados Unidos, a Costa do Marfim, a Guiné Bissau e o Brasil.
A área de responsabilidade do UNPOL brasileiro é denominada IDP Camps “Jean Marie Vincent”, o qual compreende 7 campos de desabrigados em áreas pré-demarcadas localizadas na região da favela de Cité Soleil.
São cerca de 48 mil pessoas vivendo em tendas com uma infra-estrutura que inclui um hospital do Cólera, armado em tendas de campanha pela Cruz Vermelha Internacional, bem como instalações sanitárias coletivas, conforme podemos ter um panorama na foto abaixo.


As atividades de patrulhamento diárias incluem efetivos policiais das FPUs (Formed Police Units) da Nigéria e da Índia(foto), bem como o apoio em força do Grupamento Operativo dos Fuzileiros Navais brasileiros (foto), os quais participam dos patrulhamentos conjuntos com a UNPOL e a Polícia Haitiana – PNH, conforme as fotos abaixo.

Segundo o TCel Issa “torna-se importante frisar que a missão do Haiti é basicamente policial e as forças armadas atuam em conjunto conosco, devido ao nosso poder de polícia, eles só podem entrar em uma casa ou prender alguém na presença da UNPOL”.
Os principais delitos registrados nos IDP Camps são o homicídio, furtos diversos (principalmente celulares e dinheiro), roubos, violência doméstica, violência contra mulheres e crianças, crimes sexuais (pedofilia e estupros).

As três semanas que o Tenente Coronel PMBA Francisco Issa vivenciou até o momento em seu primeiro mês de missão em Porto Príncipe certamente foram intensas em aprendizagens e experiências no campo profissional e pessoal.

Desejamos sucesso ao amigo TCel Issa e aos integrantes da IDP Camps Unit em sua nobre missão em terras haitianas.