domingo, 10 de janeiro de 2010

MINUSTAH - Despedida do Contingente 2007


A tarefa realizada ontem pelo tenente PMPE Couto e pelo Capitão PMAM Algenor de levar o Capitão Bassalo e Tenente Heberton ao aeroporto para o embarque de retorno ao Brasil por término de missão na MINUSTAH não é das mais fáceis. Este é um momento que mescla alegria e tristeza. Para o Capitão Algenor foram 12 meses de convivência diária que se encerraram.
Em dezembro de 2007 passei por situação semelhante ao levar o então Major Braga (hoje T Cel na PMPA), o capitão Freitas e o Tenente Carrera ao aeroporto (foto acima). Na época permaneci como único brasileiro na missão. O relato abaixo eu escrevi naquele dia:

19 Dezembro 2007 – Quarta-feira
O pessoal acordou cedo, pois teriam que estar no aeroporto às 07:00 hs para todo o procedimento de embarque, afinal estavam levando armas, se normalmente a gente demora para embarcar aqui em Porto Príncipe, imagina com 3 armas e munições.
O trajeto de casa até o aeroporto internacional Toussaint Louverture foi percorrido quase que totalmente em absoluto silêncio. Cada um pensando em seu futuro, com expectativas diferentes para o restante da carreira, mas sobretudo incertezas, pois apenas o Freitas sabia exatamente onde iria servir a partir da chegada ao Brasil, na APM-RS.
Saímos de casa, pegamos a route des freres até o Carrefour (cruzamento) da academia, dobramos a esquerda e seguimos pela avenida 15 de outubro (tabarre), passando pelo Brabatt (certamente muitas lembranças vieram à memória de cada um, operações, reuniões, solenidades, churrascos,etc...), até o carrefour Rita onde pegamos a avenida Toussaint Louveture à esquerda, passamos em frente à logbase, o major Braga balbuciou alguma coisa pois ali estava a localizada a Traffic and Circulation Unit da qual fora comandante por alguns meses. E enfim chegamos ao aeroporto. A despedida foi rápida, tirei umas fotos, um abraço em cada um e desejos de boa sorte. Saí deixando eles para trás e com uma sensação de vazio, pois agora estou sozinho.
Ao chegar na logbase para trabalhar todos os UNPOLs me perguntavam dos outros brasileiros e comentavam que eu havia ficado sozinho agora. Ainda bem que fiz muitos amigos, segui o conselho recebido na Induction Traning, minhas amizades não ficaram restritas ao grupo dos brasileiros, embora muitas vezes eles tenham me recriminado por isso. Este fato, penso, me facilitará a adaptação ao novo ritmo de vida aqui.
Almocei em casa, fiz meu primeiro almoço sozinho, tirei uma foto para registrar o momento. Comi, lavei a louça e logo tudo estava limpo, deitei um pouco, mas não consegui dormir. A adaptação não está sendo fácil. Às 13:30 hs saí para trabalhar, voltei para a logbase sozinho, pois o Antunez (Espanhol da Guardia Civil) meu colega de unidade ficou em casa arrumando as malas, afinal ele vai para casa amanhã passar as festas de final de ano com a família.
Quando cheguei em casa ao fim da tarde, a sensação de vazio se ampliou, os quartos mais pareciam um campo de guerra, pois havia de tudo espalhado por todos os cantos, roupas, papéis, calçados, etc...tudo que não havia entrado nas malas tinha sido deixado para trás. Coube a mim então iniciar a faxina.
Os espanhóis me convidaram para jantar, para marcar a “despedida” do Antunez e do Miguel. Fomos no hotel La Reserva, jantamos, jogamos conversa fora e logo estavámos de volta, pois eles precisavam arrumar as malas ainda.
Incrível como é difícil para nós arrumarmos as malas no momento de ir para casa
."

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