quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A UNPOL trabalha em apoio ao Exército?


Sempre que tenho a oportunidade de falar ou palestrar sobre o trabalho policial nas Missões de Paz das Nações Unidas, surgem questionamentos a respeito das atividades específicas dos integrantes da United Nations Police – UNPOL. Não raras vezes me perguntam se a UNPOL trabalha “apoiando” o Exército. Compreendo que colegas policiais tenham essas dúvidas, pois eu mesmo as tinha quando embarquei para a missão no Haiti em junho de 2007. Não só os policiais, mas a sociedade em geral é induzida ao erro pela intensa exposição na mídia nacional das atividades do Exército brasileiro no Haiti, sempre destacando o fato de que o Brasil comanda a MINUSTAH. Isto não é verdade, o Brasil ocupa uma função de destaque e importantíssima do ponto de vista estratégico: o comando do braço militar da Missão. Assim como um Oficial da Gendarmeria Argentina comanda o braço policial da MINUSTAH. A estes dois segmentos junta-se o segmento civil, composto, no caso do Haiti, por centenas de pessoas (estrangeiros e haitianos). Na soma de esforços destes três segmentos distintos reside a alma das atuais missões de paz, denominadas de multidimensionais. Cada segmento desempenhando sua função de forma independente, mas buscando alcançar objetivos conjuntos. Cada segmento com missões específicas e sem hierarquia entre si. Concluída esta parte da explicação, alguém poderia perguntar. Bom, mas se todos trabalham de forma independente, então uma Missão de Paz não tem comandante? A resposta é simples. É lógico que as Missões de Paz tem um comando. Normalmente exercido por um civil. No caso da MINUSTAH este comando é desempenhado atualmente pelo diplomata Edmond Mulet, da Guatemala.
Estas dúvidas eram correntes na época em que embarquei para a missão no Haiti. No entanto, passaram-se quase 4 anos e muita coisa mudou. Em 2007 ainda não havia o curso preparatório para policiais no CCOPAB – Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil – no Rio de Janeiro. Na verdade o curso já existia, mas preparava apenas os militares das forças armadas. Não havia o fórum de debates estabelecido com a criação grupo UNPOL em maio de 2009 (http://br.groups.yahoo.com/group/unpolbrasil/) no qual veteranos e novatos estão em contato diariamente e compartilham informações sobre as missões em andamento. Não havia o facebook e nem os blogs Missão de Paz e UNPOLICE que procuram trazer informações e fotos atualizadas sobre o dia-a-dia dos policiais brasileiros nas missões em andamento (Haiti, Sudão, Timor Leste e Guiné Bissau).
Com certeza os nossos policiais estão chegando nas diversas Missões de Paz cada vez mais informados e cientes do ambiente que vão encontrar, da rotina policial da UNPOL, da estrutura de uma Missão multidimensional e, principalmente, do papel da polícia em uma Missão de Paz das Nações Unidas. O conhecimento trás consigo a tranqüilidade e a confiança, requisitos fundamentais para uma rápida adaptação ao ambiente de trabalho para o novo Boina Azul.

3 comentários:

José Vicente disse...

Excelent texto, Marco. Seu ponto de vista está correto, a meu ver. Agora temos muito mais informações a respeito das missões de paz. Posse dizer que atualmente há mais profissionalismo na preparação às missões.
Um abraço,

TC PMPA Braga

Ricardo disse...

Importante explicacao do Sr. Cap Marco. A Policia desempenha papel significativo nas missoes de paz , pois monitora e treina a policia local e , por consequencia, mantem forte contato com as comunidades ( tribos, grupos etnicos). O UNPOL tem a oportunidade de "viver" as ruas da cidade, aprender o idioma e os dialetos, patrulhar as vielas e participar dos planejamentos da policia. A missao militar e diferente da missao policial. Temos orgulho do trabalho do BRABAT no Haiti, contudo os UNPOL Brasileiros deveriam ter mais atencao da sociedade brasileiras e das nossas autoridades. Parabens a todos os Brasileiros em Missao de Paz..Militares, Policiais, Civis...estamos todos lutando pela Paz...

Cap Marco disse...

Sempre que possível estamos divulgando o trabalho policial, não só suas atividades, mas a própria existência da UNPOL.